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MORDIDELA

JOSÉ CARLOS MADEIRA

MORDIDELA

JOSÉ CARLOS MADEIRA

O BOM GOSTO DE GRÂNDOLA VILA MORENA E O MAU GOSTO DE PEDRO


O Principe

15.02.13

Hoje um grupo de manifestantes entoou a canção da revolução portuguesa "Grândola Vila Morena" nas galerias do Parlamento, quando o Pedro Passos Coelho começava a intervir no debate quinzenal. 

O Primeiro-Ministro, perdeu mais uma oportunidade para demonstrar a sua postura de estado  e a capacidade de respeitar o desagrado das muitas vozes presentes e que representam milhares em todo o país! Em vez de recomeçar a sua intervenção logo que as condições o permitiram preferiu lançar um aparte despropositado, num tom irónico e até de alguma jocosidade, referindo que era das manifestações de melhor bom gosto que já foram feitas no parlamento. Menorizou o acto evidente de contestação e o seu simbolismo com a sobrevalorização melódica e artistica patética ainda acentuada por um sorriso trocista.

 

É conhecida a inabilidade de Pedro Passos Coelho para lidar com situações adversas, de confrontação directa, de critica ás suas politicas e governação. Esta inquietação, irritabilidade e inabilidade sempre patentes já ficaram demonstradas na sua passagem pela JSD e em como alguns dos seus agiam com os seus críticos e adversários. Esta sua forma no mínimo desajeitada de reacção, foi em laivos evidenciada na entrevista á TVI e em muitas outras ocasiões ao longo deste periodo como primeiro ministro. Já na campanha eleitoral o tinha demonstrado em algumas situações, como o celebre caso da "machadinha" na visita á feira de Pevidém em que uma mulher rispida e despropositada ao ser abordada em campanha o mandou trabalhar em resposta atirou-lhe com a frase "...uma machadinha nas mãos lhe fazia bem.."repetindo-a algumas vezes durante a discussão!

Um politico que quer ter um estatuto de estadista, de seriedade e de congregar os portugueses neste período extremamente dificil e com situações de emergência social, deve ter a capacidade e a sapiência de saber resistir á tentação de responder á canelada com outra - essa é permitida aos jogos politicos internos próprios das juventudes partidárias, terreno em que tanto Pedro Passos Coelho como Miguel Relvas se movimentaram bem e com resultados notáveis. São conhecidos episódios que revelam o estilo, como o caso de um adversário da JSD ter recebido um aviso de Relvas para não se meter com ele na luta pela sua distrital!

 

Este tom de ironia, a raiar o insulto e a descredibilização do outro e do adversário é bem patente em alguns mentores e sectores afectos a Pedro Passos Coelho, como o caso de António Borges ao chamar ignorantes aos empresários! Aliás termos como o utilizado têm sido "useiros e vezeiros" na linguagem de sectores da maioria, faltando aí também uma das promessas eleitorais, de fazer politica de uma forma diferente da linha que acusava o seu antecessor!

 

O facto de publicitar com vaidade o seu gosto pela música e canto clássico entre outras actividades culturais e lúdicas , não faz de si um homem de bom gosto! Agitar constantemente uma bandeira de arrogância, prepotência e de sobranceria pavoneante é de evidente mau gosto!

 

Também se mede o caracter de um individuo por se ser "harmonico" face aos outros e não resisto a terminar citando Álvaro de Campos: "O Super-Homem será, não o mais forte, mas o mais completo../O Super-Homem será, não o mais duro, mas o mais complexo..../O Super-Homem será, não o mais livre, mas o mais harmonioso." - e retiraria a palavra Super-Homem e colocaria o termo " O politico que precisamos será...." Aconselho a Pedro a leitura integral do poema Ultimatum e talvez o seu sorriso irónico e trocista com que escuta os outros se torne de outra cor que não o amarelo e "proclame outra humanidade"!

 

 

José Carlos Madeira

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