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MORDIDELA

JOSÉ CARLOS MADEIRA

MORDIDELA

JOSÉ CARLOS MADEIRA

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS - À DESCOBERTA DO NOVO TRIPLO DE ZERO


O Principe

14.10.25

À DESCOBERTA DO NOVO TRIPLO DE ZERO

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Por fim, terminaram as eleições, mas muita tinta ainda vai ser gasta, sobretudo a justificar os resultados. Chegamos à conclusão que ganharam todos mesmo aqueles que ficaram muito aquém dos seus objetivos. Na politica a matemática, não é algo preciso, 2+2 não são quatro, e o triplo de zero não é zero. Perder 3 camaras e não compensar com outras vitórias, não é sinal de derrota, porque a dita matemática dos lideres partidários tem pressupostos, equações, interpretações que só eles conhecem. Com os exemplos dos políticos, não admira que a matemática seja uma disciplina com grande dificuldade de aprendizagem no ensino nacional. 

        Seriamente, há que admitir que o PSD, foi o vencedor da noite, mesmo perdendo capitais de distrito como BragançaViseuFaro e Coimbra, para os socialistas. Se houve uma surpresa, foi de facto Viseu, um bastião social-democrata, com um autarca que esteve mais de 28 anos a liderar a autarquia, Fernando Ruas, uma figura de relevo entre os "barões" da politica que resistem no PSD, cuja opinião foi sempre tida muito em conta nas contendas internas pois representava uma fatia de votos estável para o partido, nestes 51 anos de democracia. No entanto, consegue ganhar os grandes centros urbanos, como LisboaPortoGaia e Braga, neste caso com uma diferença mínima de votos. Venceu com o maior numero de camaras, teve mais votos e portanto não há que escamotear e inventar, é o vencedor quer se goste ou não! A confirmar esta vitória, assume por consequência a liderança da Associação Nacional de Municípios, largos anos sobre o domínio socialista.

    O Partido Socialista, quem se diz que obteve uma votação digna, apesar de vitórias históricas como em Viseu, Bragança, conseguiu estancar a perda de votos, na autêntica hecatombe, das recentes eleições legislativas. Ganhou em Faro, onde o Chega, colocou o seu número dois, Pedro Pinto, com uma campanha e discurso agressivos, como é seu apanágio. Apesar de vários resultados de realce, perde nos grandes centros urbanos, Lisboa, Porto e Braga, com a maior desilusão a ser Lisboa em que Alexandra Leitão ficou bastante aquém do que se esperava. Apesar da dita votação digna, temos que admitir que há uma derrota num momento em que o seu rival está no governo com o seu líder debaixo de fogo pelos casos que envolvem a sua empresa, com acusações de pouca transparência. A verdade é que o José Luís Carneiro e a sua equipa herdaram alguns candidatos, já escolhidos pelo seu antecessor. Fica a dúvida se teria lançado os meus nomes. Estancar uma perda significativa de votos em relação às eleições legislativas, não resulta numa vitória. A perda da direção da Associação Nacional de Municípios é uma derrota. Fiquemos pela matemática da votação digna e das já mencionadas vitórias inesperadas e valorosas.

        O PCP-PEV, é o exemplo que a matemática, é mais que os números finais, de perdas e ganhos, mas sim o que o discurso do líder concluiu, em conformidade com o Comité Central. Ao longo das duas últimas duas décadas, a perda de votos é constante entre eleições. Mas o discurso oficial, tem sempre equações muito próprias, resultado de uma aritmética em que há sempre um "período muito difícil em que vivemos", "dificuldades impostas por fatores externao", "o combate ao inimigo", a ilusão "de resistência", entre tantos outros números que só os lideres e o comité central conhecem. Há uma matemática paralela, dos partidos e regimes comunistas, algo etéreo, só ao alcance do líder. E se o líder diz, vai-se enganado a evidência da erosão do partido ao nível nacional, sem que haja vontade de uma mudança de discurso porque os tempos são bem diferentes do período pós-revolucionário. A matemática dos votos e da aceitação dos portugueses resultou em 12 camaras, mesmo perdendo votos e camaras para o PS, vêm noite após noite eleitoral anunciar vitória. Face ao momento que o PCP atravessa, é um numero muito positivo pois esperava um numero muito menor.

        O CDS, um partido da fundação da democracia em Portugal, que perdeu expressão nacional, tendo nas ultimas eleições legislativas que concorreu sozinho perdido a representação parlamentar, não atingindo sequer os 2% da votação. Ao nível nacional é uma espécie de partido-zombie, que Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, lançou uma boia de salvação, fazendo uma coligação desnecessária quando nos referimos à mais valia dos seus votos. Só Deus e o Luís sabem porque o faz. Há quem diga que é para estancar o crescimento do Chega, mas o resultado foi o contrário.  Consegue nestas autárquicas um resultado que a muitos surpreendeu, mantém as suas camaras e com um razoável sucesso ao nível de votos. Fica com a gestão de 6 camaras, e de imediato o ego dos seus lideres sobreviventes, tomou proporções muito desenquadradas com valor que real ao nível nacional. O CDS, só se pode queixar de si próprio, das guerrilhas internas, dos golpes palacianos  e egos desmedidos, sem compreender que ainda mais à sua direita, como se fosse possível num país democrático e de bons costumes como Portugal, surgia um partido que ajudaria à sua quase extinção e insignificância, coadjuvado pela incognita constante da Iniciativa Liberal. 

            Depois temos o Chega, que lançou todas as cartas nestas eleições de forma a demonstrar a sua força ao nível nacional e esperando a transposição do seu crescimento nas eleições legislativas para o plano autárquico. Fui sempre da opinião, otimista, que o valor que obteve na ocasião tinha como fundamento um momento especifico em que uma franja substancial do eleitorado, quis penalizar por intuição as guerras entre os dois maiores partidos, as suas consequências na gestão politica e os diversos casos que acabaram por arrastar o país uma vez mais para eleições. Claro que existiu e não pode ser descurado um voto ideológico e perigoso em que todo o discurso assente na xenofobia, na perseguição às minorias, no discurso histérico e sem rigor em que capta sempre uma franja infeliz de eleitores pouco avisados e com uma cultura democrática e cívica em que tudo se resume a uma conversa e discussão de conteúdo e linguagem primárias. O líder além de omnipresente em todas as distintas campanhas pelo país e nos outdoors de todos os candidatos, lançou os seus mais fieis para camaras importantes, Sintra, Faro, OeirasAmadoraLoures e o resultado foram derrotas sem apelo. Anunciou que a meta do partido seria conquistar 30 camaras. Conquistou apenas 3!! Uma na região autónoma da Madeira, com maioria, outra no Algarve, Albufeira, e no centro país Entroncamento, ambas sem maioria. As três juntas, a nível de população não atingem os 100.000 habitantes, ficando pelos 75.000 habitantes. Os seus principais oficiais de campo perderam com percentagens muito inferiores à média nacional da sua votação. Nenhum deles conseguiu um honroso segundo lugar, se é que assim se pode adjetivar face aos comportamentos e ao discurso de vários, principalmente de Rita Matias, Pedro Pinto e Pedro Frazão. Este último com um vergonhoso resultado de 8,4%, que só o próprio tenta negar a rejeição com que os cidadãos de Oeiras premiaram o seu comportamento e desempenho. André Ventura no dia das eleições, admitiu de uma forma tímida que "nem todos os objetivos tinham sido atingidos", no momento seguinte saltou para a estrada para ir celebrar a vitória na Camara de Cantanhede, tentando levar consigo as camaras de televisão, em mais um episódio de assumir o protagonismo e monopolizar as emissões dos canais de informação. A noite era do PSD e de Luís Montenegro, que de forma inteligente saltou para a estrada, com o seu núcleo mais próximo, para festejar com alguns vencedores, caso do Pedro Duarte, no Porto, e de Luís Filipe Meneses em Vila Nova de Gaia. Se não fosse o habitual comportamento da CMTV, Ventura ficaria completamente a falar sozinho. No dia seguinte tínhamos todos os oficiais de campo na televisão e nas redes sociais a tentar minimizar os danos e com a versão aritmética que também foram vencedores na noite anterior. O numero de votos totais foi menos de metade do que atingiram nas eleições legislativas e o argumento que são um partido novo, não é válido pois o excesso de otimismo e arrogância apontavam para a conquista de 30 concelhos. Vai daí, dois dias depois surge toda a força comunicacional do partido nas televisões, na imprensa e nas redes sociais, com uma leitura quase patética dos resultados. Além de Rita Matias e Bruno Nunes, também um dos maiores derrotados Pedro Frazão, a tentar recuperar o que não é possível e a mostrar trabalho, dedicação e fidelidade ao líder, gritando desesperadamente que não houve nenhum desaire. Todos e concertadamente fizeram o que melhor sabem que é a politica da desestabilização e da ameaça. Segundo eles, não haverá governabilidade na generalidade dos concelhos que não têm maioria de um só partido, se não cederem às exigências do Chega e dos seus dirigentes. Esquecem-se, e esperemos que sim, que os principais partidos políticos aprenderam com o último resultado eleitoral nas legislativas, que não podem estar dependentes da ação e de acordos com o Chega. O melhor exemplo, foram as eleições para o governo da região Autónoma dos Açores, cujo governo viabilizado através de um acordo com o Chega rapidamente caiu.  As duas camaras que o Chega venceu no continente não têm maioria e estão à mercê dos opositores facilmente em caso de guerrilha generalizada para a ingovernabilidade no poder autárquico. A politica do Chega sustenta-se na ingovernabilidade.  Poderemos estar na iminência de vermos o cão feroz, às voltas atrás do seu rabo. O Chega sabe que estas duas camaras são essenciais para o seu projeto, de forma a poderem demonstrar que são capazes de assumirem responsabilidades executivas. Precisam a todo o custo de as manter até ao fim dos mandatos, de mostrarem trabalho e responsabilidade. Parece difícil! Em Portugal 20 grupos de cidadãos independentes, unidos somente para o efeito, venceram 20 camaras, sem apoio de qualquer partido ao nível financeiro e logístico.

     O episódio mais caricato da matemática politica, vem como se esperava do Chega que entre outros extraordinários exercícios de propaganda, anuncia nas redes sociais que triplicou o numero de camaras. O numero de partida para comparação era 0 (nenhuma) e como agora tem 3 conclui que triplicou, se fossem 4, quadruplicara e por aí fora. Seriam capazes de dizer que tinham duplicado em caso de terem ganho apenas duas. Este discurso serve para os mais incautos e junto daqueles que a última coisa que leram foi um manual de instruções de montagem de um móvel do IKEA, com textos curtos e muitas figurinha. Não houve a triplicação de nenhum numero porque...não havia numero de referência! Meu caro Pedro Frazão e restante entourage, o zero é zero, simplificando é nada! Deixo-vos uma breve e simples explicação que podem tentar obter no Google, quiçá junto do filho mais novo ou então simplesmente peguem numa calculadora mesmo baratinha. 

    "O triplo de zero é zero (3 X 0 = 0). O resultado de qualquer numero multiplicado por zero é zero!!

 

José Carlos Madeira

14-OUT-2025

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2025 - NERVOS À FLOR DA PELE - O NOVO REFLUXO


O Principe

10.10.25

   

 

ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2025 - NERVOS À FLOR DA PELE - O NOVO REFLUXO

 

 No fecho da campanha eleitoral para as autárquicas, há um evidente nervosismo principalmente numa das facões mais radicais. O partido mais à direita no parlamento, apostou todas as fichas no casino político nestas eleições, de forma a sustentar o seu posicionamento como a segunda força política do país. Sendo um partido que toda a actividade e acção gira à volta do seu líder, serviria estas eleições para demonstrar o contrário, que possui individualidades capazes de trilhar o seu próprio percurso sem a muleta e a presença de André Ventura. Mas, desde inicio ficou demonstrado que o próprio líder não o deseja e por isso, qual estrela pop-star, faz uma digressão por Portugal. Toda a comunicação e propaganda, desde os outdoors nas ruas, entre outros materiais de campanha, o líder é omnipresente. A imagem do "grande líder", ao estilo norte-coreano e venezuelano, aparece em todo o lado sobrepondo-se ao candidato local.

    Assistimos a selecções de candidatos locais no mínimo hilariantes, desde modelos porno-eróticos, um mini catálogo do Only Fans para todos os gostos, alguns com cadastro e histórias duvidosas, outros que vêm directamente de áreas políticas bem distintas como o socialismo, que André Ventura diz querer erradicar de Portugal. O historial e actividade de alguns desses candidatos contrariam os grandes temas que o Chega diz defender: a família tradicional, o catolicismo, o combate à corrupção, ao crime, entre outros. Seria exaustivo enumerar todos os casos, e não falta na Internet todos os memes e referências. Mas, será de salientar o caso recente no distrito de Braga, envolvendo o controverso deputado Filipe Melo, em que um candidato do partido à freguesia de Cabanelas, Concelho de Vila Verde, o acusou de perseguição tendo que chamar as autoridades policiais locais. São conhecidas, e publicadas em vários meios, as perseguições a militantes que discordam da liderança. Mais que um episódio a acrescentar a tantos, serve como exemplo da noção de poder e democracia que é imposta internamente. O "grande líder", apenas o grande líder e somente replicar o grande líder,  "papagaiar" o melhor possível as suas mensagens.

    Das últimas eleições autárquicas mais de 70% dos vereadores eleitos pelo partido a nível nacional, abandonaram ou desistiram. Alguns com acusações de falta de apoio e  outros da já costumeira falta de democracia interna. O próprio "Grande Líder" foi eleito para uma Assembleia de Freguesia em que mais de 80% das vezes faltou ás sessões. Noutro partido, chamaríamos de bagunça, e o Chega estaria acusar de não quererem trabalhar e que não têm interesse pelas populações.

    Um dos lemas principais, é destruir o que chamam de sistema criado sobretudo pelo PSD, CDS e PS, mas chegamos à conclusão que é o dito "sistema" que fornece e sustenta o Chega. Só para exemplificar recordamos os casos de PortoMatosinhos e Cascais em que foram buscar elementos que há uns anos empunhavam de forma garbosa o estandarte social-democrata e socialista. Recordemos o exemplo do candidato a Cascais, que assume que foi doutrinado por individualidade socialistas relevantes como Jaime Gama, ou o social-democrata Pacheco Pereira mas um dia descobriu que Hitler era de esquerda e de imediato mudou para a direita e o mais distante possível do centro - poderá parecer uma piada, mas é real!

    André Ventura, O Grande Líder, lançou quase todos os seus deputados para as eleições autárquicas, obrigando-os assumir a candidatura a vários concelhos. Os seus principais fieis e oficiais de campo, lançaram-se a concelhos com relevo eleitoral. Pedro Pinto (ex-CDS) a FaroPedro Frazão, o veterinário de serviço, confesso adepto de touradas chegando ao ponto de envolver os seus filhos menores em garreadas, atirou-se a Oeiras, concelho de um dos dinossauros autárquicos, Isaltino MoraisRui Paulo Sousa, à Amadora, e a coqueluche do líder, Rita Matias à populosa Sintra. Com esta estratégia, qualquer resultado abaixo do segundo lugar, será uma derrota, do séquito próximo do líder e do próprio.

    Nestes dois últimos dias, os nervos estão à flor da pele, os candidatos, com cargos de deputados, como Rita Matias e Pedro Pinto, este habituado como aficionado a lidar com touros, reagem com agressividade a qualquer atitude de contestação ou animosidade, chegando ao ponto de filmarem as mesmas  e se vangloriarem das suas reacções. "Anda cá", dizia numa das situações Rita Matias para uma mãe com o carrinho de bebé. Um deputado, não é um cidadão comum, tem a obrigação de ter uma capacidade de encaixe, de se alhear destas situações desconfortáveis e a inteligência de as gerir de forma digna. Em ambos os casos exibiram o momento como um exemplo de valentia. Como é do conhecimento publico, não é de estranhar para os mais avisados, este comportamento pois são conhecidas situações internas que se resolvem à chapada, ameaças com correntes e outros episódios.

    Da direita à esquerda, já todos os políticos em campanha se confrontaram com episódios de animosidade. Ramalho Eanes no Alentejo foi apedrejado, Mário Soares levou uma estalada na Marinha Grande. Ambos viriam a ganhar as eleições. Será que a publicação e a vaidade com estes momentos pretende criar um novo episódio de vitimização, dando mais tempo de antena nas televisões e projectando a imagem que todos que criticam o Chega são socialistas, comunistas e extremistas de esquerda? Cá por mim, assumo-me como social-democrata e não tenho razões para mudar o que pretendo para a sociedade em que vivo.

    Interessante, é que no socialismo que o Chega vai recrutar candidatos, como os casos já citados de Cascais. Matosinhos e na Social-democracia, o exemplo do Porto. O próprio "Grande Líder", foi promovido pelo PSD,  tendo sido candidato pelo mesmo a Loures. De realçar que foi apadrinhado pelo então presidente do partido, Pedro Passos Coelho. O padrinho de casamento do "Grande Líder" e actual ministro de uma espécie governo sombra, foi um ministro e controverso dirigente do PSD.  Sabe-se nos meandros políticos a simpatia que Passos Coelho nutre por André Ventura e muitos asseguram que não é ingénuo o seu genro aparecer como candidato do Chega a Ansião. Passos Coelho, foi mais longe deixando um recado ao seu partido que não devem existir linhas vermelhas para coligações com o Chega, alegando a vã razão que em democracia todos contam!

    Em caso de um resultado negativo, principalmente nos principais concelhos do país e naqueles que apostou os seus fieis generais, levará ao prolongamento dos "nervos à flor da pele", pedidos de comissões de inquérito parlamentar, suspeições políticas, acentuar o debate verbal agressivo, mal educado ao nível parlamentar. Tudo valerá para impedir que haja a percepção que  sem o "Grande Líder", os seus generais pouco ou nada valem  e que o partido é um imenso vazio para além do seu discurso populista e demagógico.

    O Chega é o principal cliente e recrutador no sistema que critica, tanto a nível financeiro como político. Contudo, recruta mal e muitas vezes o seu antigo inimigo, que neste momento precisa de se manter à tona para sobreviver e vê no Chega a oportunidade.

 

José Carlos Madeira 

10 Out 2025

    

O MANGUITO DA SEMANA ANJOS


O Principe

03.10.25

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O MANGUITO DA SEMANA: VAI PARA OS ANJOS

O "Manguito Da Semana", vai para os Anjos, pelo processo que instauraram à humorista Joana Marques, no qual pediam uma indemnização de um milhão de euros. Hoje a humorista acabou por ser absolvida.

Tudo começa numa tentativa de darem uma roupagem, talvez "Pop", quem sabe,  ao Hino Nacional, quando cantaram no Grande Prémio do Campeonato de Moto GP. Os Anjos, evocam que um post de Joana Marques a ironizar a sua interpretação lhes provocou danos materiais e psicológicos, inclusive uma crise aguda de acne num deles. Não foi só a humorista que brincou e gozou com a dita actuação, mas centenas de outras pessoas nas redes sociais. Se fizermos uma pesquisa verificamos que o post de Joana Marques nem é dos mais cáusticos e com mais visualizações. Claro, que sendo uma personalidade mediática e controversa daria um maior impacto na comunicação social. Que interesse teria processar o José de Vinhais, a Mariana do Freixo ou o Silva do Barreiro? Se visualizarmos o vídeo da Joana Marques, com toda a sinceridade, esboçamos apenas um sorriso, o que nos leva à gargalhada é mesmo a actuação. Os Anjos evocam problemas técnicos, o que nos leva a interrogar porque não processaram quem operou tecnicamente a performance. Contudo, é evidente para quem visualiza a actuação, tudo soa a desculpa. Há claramente uma intenção de dar uma roupagem ao Hino Nacional, com uma interpretação a duas vozes, com nuances e sobreposições das mesmas, que falhou redondamente. Como se diz na gíria artística, o resultado foi um fiasco. A juíza no acórdão da sentença, classifica como uma "actuação desastrosa". 

Não é de descurar, que este processo permite concluir que anualmente os Anjos têm uma excelente facturação e que os custos com terapias do foro psicológico e os tratamentos ao acne estão "pela hora da morte". 

Mais que um processo, que faz perder tempo à Justiça já tão saturada com pequenas litigâncias,, temos que ter a percepção clara que uma decisão contrária, condenação de Joana Marques, abriria um precedente que quartearia o humor e a própria liberdade de expressão no futuro. Pelo conteúdo da publicação, concluimos que os limites do humor e da liberdade de expressão seriam muito curtos. No momento em que vivemos muitos a reboque desta sentença adorariam que tal acontecesse.

O mais interessante, é que no Parlamento Português, o seu Presidente diz numa entrevista que tudo que é passível de ser dito num espaço publico deve ser possível dizer naquele órgão de soberania. Imaginemos um deputado do Norte, dizer a outro carinhosamente: Oh meu "caralho", acho que não tens razão deves ponderar melhor o acórdão do Tribunal Constitucional! - segundo João Pedro Aguiar-Branco, presidente da honorável Assembleia da Republica é possível. Bastas vezes presenciei este género de mimos cordiais, utilizando aquele termo, na honorável Taberna do Zé Papagaio e ninguém se ofendeu. No norte frases do tipo "oh meu caralho ontem não apareceste" ditas em locais publicos são useiros e vezeiros. Aguiar Branco que se cuide, que o mesmo deputado do norte pode-lhe dizer sem ser passível de sanção "oh meu caralhete está a cortar-me a palavra"!

Em conclusão, ainda bem que os irmãos Rosado, Anjos, não são deputados nestes tempos que correm, porque as crises de acne seriam permanentes e teriam que rezar muitos terços.

E o Manguito da Semana para os Anjos é também pela reação à sentença, quando dizem que não tiveram qualquer a intenção de limitar o humor e a liberdade de expressão. Então, qual era o intuito?

 

 

José Carlos Madeira

3 Out 2025

 

 

 

 

PRÉMIO MANGUITO DO DIA "COMISSÕES PARLAMENTARES OU COMICHÃO"


O Principe

18.04.23

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A escolha de uma imagem de Luiz Pacheco, o mais libertino dos poetas e escritores portugueses, a fazer um manguito, gesto bem português, não é inocente. Luiz Pacheco tinha uma imagem muito própria da vida, das instituições e do mundo que o rodeava. Alguns chamavam-no de louco, outros o idolatravam e ainda uma maioria achava tudo nele e na sua vida disfuncional. Penso que se divertia imenso com os epítetos e com a critica. Nada mais aproposito que colocar como padrinho do Manguito do Dia, Luiz Pacheco, o homem que não tinha medo das palavras, levava a vida com a maior das displicências e sem mordaças. As disfuncionalidades do nosso dia a dia político e social recebiam hoje de si um poderoso manguito à Portuguesa.

E o Manguito do Dia vai para as comissões parlamentares, que acabam muitas vezes por pouco servirem. Alguns senhores deputados, que na maioria desconhecemos, debitam costumeiras do costume, interrogam e colocam questões que nos parecem sérias dependendo do nosso lado ideológico. No final a conclusão dos resultados bastas vezes são no minimo contraditórias com o que ouvimos. É normal que o inquirido não se lembre, não teve conhecimento dos factos entre outras respostas habituais. Mesmo que o mesmo inquirido meses antes tenha dado uma entrevista ou feito declarações sobre o tema. Quando termina a dita comissão fica uma comichão nos cidadãos mais atentos que para os seus botões dizem "mas então..., eu que pensava que havia ali problemas,...." A vida continuou tranquila para tantos que passaram por estas comissões parlamentares, podia me lembrar de imensos nomes como Zainal Bava, Ricardo Salgado, Joe Berardo, que não percebo se é ou não ainda comendador seja lá isso o que for, e outros de todos quadrantes ideológicos.

Normalmente o inquirido apresenta-se muito indignado pelo incomodo de ser chamado pelos senhores deputados para o inquirirem, na sua generalidade menosprezam a figura da comissão parlamentar e recitam autoelogios e uma lista de feitos a bem da nação para além da arrogância em respostas que nos parecem substantivas para a questão. No final fica sempre uma comichão em todos nós e até creio também em alguns dos membros da dita comissão. Depois de tantas respostas que já ouvimos que nos pareceram dignas de determinado humorista ainda tenho a esperança de ouvir um senhor inquirido a responder com delicadeza à pergunta "o senhor aprovou esta indeminização milionária" - "ó senhora deputada eu nesse dia estive de manhã a regar o jardim e á tarde fui para a rotunda do Marquês dar de comer aos pardais" e a deputada com estranheza interrogar "mas não há lá pardais!" ao que responderá "a senhora não estava lá, não viu! Nesse dia eram aos bandos como dizia aquela canção do Carlos Carmo".

Nesse dia vou coçar a comichão com prazer e prometo soltar a minha melhor gargalhada.

 

José Carlos Madeira 

 

 

UM JARDIM CHAMADO TAP


O Principe

18.04.23

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A TAP ao longo dos anos tornou-se na arma de arremesso entre partidos políticos e fracções ideológicas ignorando sempre o interesse da companhia e do próprio país. Sendo uma companhia aérea a sua imagem é mais de um barcaça que sobe o rio contrariando a corrente do rio com a água a entrar por várias fendas e o timoneiro de ocasião vai tapando com rolhas de cortiça frágeis e voláteis.

Escândalos na gestão da companhia aérea dita nacional têm sido constantes ao logo de décadas. Ignoram o serviço e a sua importância no mundo lusófono espalhado pelo globo e a sua importância. Pior que tudo, nunca se encontrou uma formula para a sua gestão, para uma melhor operacionalidade, rentabilidade e paz social com os diversos sectores de trabalhadores. Acumulámos dividas gigantescas que passaram e aumentaram em cada administração mas o pior é que surge sempre um governante que por motivos de promoção política aparece com uma formula mágica e o desejo de ser grande o grande salvador, o Messias do milagre esperado. Olhando para trás no tempo e até aos dias de hoje os ditos políticos messiânicos  tornaram-se apenas em mais um nome para a extensa lista de coveiros.

Nacionaliza-se, desnacionaliza- se, divide-se a meio entre o estado e o sector privado, entrega-se a companhia a um investidor privado dúbio e com um sócio português sem conhecimento do complexo mundo da aviação com resultados negativos em todas as vertentes. Alguns até preconizam a fusão da companhia com outras europeias cuja saúde é periclitante.

Perante tudo isto, a TAP transforma-se em conversa política de taberna onde se discute tudo e não o essencial, argumenta-se culpas para o adversário político sem respeito pelo historial da companhia, dos seus trabalhadores e da importância inquestionável que tem num país de emigrantes e vocacionado para o turismo.

Escandaloso é como alguns políticos e gestores sucessivos da TAP a trataram como um jardim seu. O episódio de colocar um motorista à disposição do marido da CEO e com outros elementos da hierarquia superior a fazerem o mesmo, para não falar em posicionar "amigados" em posição chave sem requisitos curriculares no sector. Além de um falta de noção de responsabilidade, choca que uma companhia deficitária esteja à mercê de guerrilhas internas entre a CEO e elementos da sua administração, resolvendo a questão com a saída de quem não é da sua entourage  com indemnizações milionárias. Gestão fácil - és contra mim dou-te uns milhões, sais e não me incomodas.

A trapalhada é tão grande que meses antes da dita comissão de inquérito, mais uma cujos resultados não trarão novidades nem terão consequências, o principal partido político português no governo e com maioria absoluta promove uma reunião do seu grupo parlamentar com a CEO executiva da empresa. Qual o intuito? - questionam a maioria dos portugueses. As respostas dos promotores da mesma soam às desculpas das minhas filhas mais velhas na adolescência, quando queriam esconder o gato e o punham debaixo da cama esquecendo-se que mais minuto menos minuto o animal saltaria. Não é ilícita a reunião mas como se referiu um juiz na sentença de um ex ministro acusado de utilizar os carros da antiga Brigada Fiscal para fazer a mudança de casa, à mulher de César não lhe basta ser séria, tem que parecer!

Nada no processo de gestão da TAP nos parece sério. É o tal jardim de alguns para se promoverem e à sua claque, ao menos podiam o regar e adubar mas percebemos que essa não é a intenção principal.

 

José Carlos Madeira

  

 

 

 

 

DIZEM POR AÍ QUE MORREU HERBERTO HÉLDER


O Principe

24.03.15

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                                                                 DIZEM POR AÍ QUE MORREU HERBERTO HÉLDER

 

 

Dizem por aí que morreu Herberto Hélder, o poeta.

Mais que um poeta, um homem de pensamento livre. Decidiu com liberdade e coragem sempre a sua vida e o que fazer com a sua obra. A sua poesia era dele, emprestada á voz e à imaginação dos outros. Nunca se subjugou a editores, agentes literários e a críticos. Foi o que foi, nunca deixou que fizessem de si e da sua obra o que não quis. Traçou o seu caminho no acaso da independência, deixou-se ir pela corrente do seu próprio rio fazendo sempre o que melhor conseguiu em cada represa que lhe foi colada, muitas vezes traiçoeiramente. De todo o trajecto sobejou caracter, a sua liberdade, a sua resistência ao status quo instalado em todos naipes intelectuais deste país arregimentado.

No rio que foi a sua vida, deslizou, colheu imagens que transformou em palavras tão unicamente escritas e ditas, construiu e destruiu castelos, embalou e estremeceu-nos, brincou com as palavras com dureza como as arredondou, deu-lhes cor, movimento e música como ninguém o fez.

Abro a televisão e os noticiários insistem: morreu Herberto Hélder! Como se fosse possível um poeta morrer, é tão simplesmente uma parte do seu trajecto, a chegada á sua foz onde as suas águas tão diferentes dos demais se juntarão sem se confundirem com as de Pessoa, de Jorge Sena, de Sophia de Mello Breyner. E se ao olharem para o mar virem um pedaço verde que se transmuta o tempo todo e resiste à ondulação e á espuma que vêm beijar as areias dos mais comuns e da vulgaridade, aí está o Herberto Hélder.

Fico com a sensação que Pessoa, ordenará a Álvaro de Campos que vá na sua moderna barcaça receber Herberto com os braços abertos cintando-se a si mesmo:

E proclamo (meu caro Herberto-imagino eu a forma)

(…)

Primeiro:

O Super-homem será, não o mais forte, mas o mais completo!

E proclamo também: Segundo:

O Super-homem será, não o mais duro, mas o mais complexo!

E proclamo também: Terceiro:

O Super-homem será, não o mais livre, mas o mais harmónico!

Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando(-te, digo e imagino eu uma vez mais) abstractamente o Infinito.

 

Herberto Hélder é um poeta que viverá ao longo dos tempos pelas suas palavras, pela sua diferença harmoniosa, e o mais importante serão sempre os seus poemas e a única forma de o elogiar, enaltecer, fazer valer a pena cada dia da sua existência entre nós, é lê-lo e dar a ler aos outros, partilhar! Daí que o mais importante neste texto é a poesia de Herberto Hélder e por isso transcrevo o poema que tantas vezes reli:

 

A Bicicleta pela Lua Dentro - Mãe, Mãe

A bicicleta pela lua dentro - mãe, mãe - 
ouvi dizer toda a neve. 
As árvores crescem nos satélites. 
Que hei-de fazer senão sonhar 
ao contrário quando novembro empunha - 
mãe, mãe - as tellhas dos seus frutos? 
As nuvens, aviões, mercúrio. 
Novembro - mãe - com as suas praças 
descascadas. 

A neve sobre os frutos - filho, filho. 
Janeiro com outono sonha então. 
Canta nesse espanto - meu filho - os satélites 
sonham pela lua dentro na sua bicicleta. 
Ouvi dizer novembro. 
As praças estão resplendentes. 
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto. 
Aviões passam no teu nome - 
minha mãe, minha máquina - 
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve. 

Avança, memória, com a tua bicicleta. 
Sonhando, as árvores crescem ao contrário. 
Apresento-te novembro: avião 
limpo como um alfabeto. E as praças 
dão a sua neve descascada. 
Mãe, mãe — como janeiro resplende 
nos satélites. Filho — é a tua memória. 

E as letras estão em ti, abertas 
pela neve dentro. Como árvores, aviões 
sonham ao contrário. 
As estátuas, de polvos na cabeça, 
florescem com mercúrio. 
Mãe — é o teu enxofre do mês de novembro, 
é a neve avançando na sua bicicleta. 

O alfabeto, a lua. 

Começo a lembrar-me: eu peguei na paisagem. 
Era pesada, ao colo, cheia de neve. 
la dizendo o teu nome de janeiro. 
Enxofre — mãe — era o teu nome. 
As letras cresciam em torno da terra, 
as telhas vergavam ao peso 
do que me lembro. Começo a lembrar-me: 
era o atum negro do teu nome, 
nos meus braços como neve de janeiro. 

Novembro — meu filho — quando se atira a flecha, 
e as praças se descascam, 
e os satélites avançam, 
e na lua floresce o enxofre. Pegaste na paisagem 
(eu vi): era pesada. 

O meu nome, o alfabeto, enchia-a de laranjas. 
Laranjas de pedra - mãe. Resplendentes, 
estátuas negras no teu nome, 
no meu colo. 

Era a neve que nunca mais acabava. 

Começo a lembrar-me: a bicicleta 
vergava ao peso desse grande atum negro. 
A praça descascava-se. 
E eis o teu nome resplendente com as letras 
ao contrário, sonhando 
dentro de mim sem nunca mais acabar. 
Eu vi. Os aviões abriam-se quando a lua 
batia pelo ar fora. 
Falávamos baixo. Os teus braços estavam cheios 
do meu nome negro, e nunca mais 
acabava de nevar. 

Era novembro. 


Janeiro: começo a lembrar-me. O mercúrio 
crescendo com toda a força em volta 
da terra. Mãe - se morreste, porque fazes 
tanta força com os pés contra o teu nome, 
no meu colo? 
Eu ia lembrar-me: os satélites todos 
resplendentes na praça. Era a neve. 
Era o tempo descascado 
sonhando com tanto peso no meu colo. 

Ó mãe, atum negro — 
ao contrário, ao contrário, com tanta força. 

Era tudo uma máquina com as letras 
lá dentro. E eu vinha cantando 
com a minha paisagem negra pela neve. 
E isso não acabava nunca mais pelo tempo 
fora. Começo a lembrar-me. 
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos 
de peixe, tua coluna 
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha 
cantando na neve que nunca mais 
acabava. 

O teu nome negro com tanta força — 
minha mãe. 
Os satélites e as praças. E novembro 
avançando em janeiro com seus frutos 
destelhados ao colo. As 
estátuas, e eu sonhando, sonhando. 
Ao contrário tão morta — minha mãe — 
com tanta força, e nunca 

— mãe — nunca mais acabava pelo tempo fora. 

 

HERBERTO HÉLDER

 

Eu continuarei por aqui como tantos outros a ler, a dizer, a declamar, a encontrar caminhos largos em cada teu poema. Obrigado (porque tu foste o maior de todos sem saltos altos, sem bicos de pés, sem muletas) porque nos deixaste o teu melhor…

 

José Carlos Madeira

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