José Carlos Madeira - se elegeres a sinceridade como teu propósito de vida, manterás sempre livre a tua opinião e a tua mente liberta em cada palavra!

01
Out 14

 

 

Escritos à Quarta...

 


MAS QUE RAIO DE NEGÓCIO

(…eu havia de arranjar! Trabalho até fartar, memória nem falar)

                   Os meus colaboradores e toda família divertem-se com o meu problema com portas e as respectivas chaves. A minha hiperactividade, faz com que quase diariamente tenha situações recorrentes de ser demasiado cuidadoso a fechar as portas mas a nunca salvaguardar que tenho de facto as suas chaves comigo. Inclusive já mudei o tipo de fechadura do meu gabinete para que só seja trancada com a introdução da própria chave. Este meu desvario, assim chamo á falta de melhor adjectivação porque é mais que uma mera distracção, tem-me causado problemas sérios, perturbando a agenda completa do dia, como me bloqueia por completo durante horas seguidas além de me pôr possesso contra mim mesmo! Mas, o pior tem sido as contas para os senhores das fechaduras, conhecidos como “abridores de portas” que tenho três ou quatro nomes sempre na minha agenda de contactos para as constantes urgências. A dimensão chegou ao ponto de um colaborador dizer-me,na chacota, que devia ter um “abridor de portas” permanente na empresa.

                 Pensei que o problema era só comigo ou com outros com esta disfunção mas todos ficámos a saber nas últimas semanas que o mesmo se passa inclusive com intitulas "empresas importantes", que se vêm obrigadas a contratar “abridores de portas”. É mesmo um problema nacional que desconhecia e houve quem suspeitasse que o melhor local para os recrutar é para as cercanias de S. Bento (mas não é exclusivo). No entanto, os meus “abridores de portas” são muito mais exigentes, além de lhes ter de pagar a deslocação e o serviço, acrescentam o Iva e não fazem qualquer desconto em relação á quantidade contratada de serviços ou por ser um cliente assíduo. E fico mais furioso ao saber que os outros “abridores de portas ” são de fraca memória e muito compreensivos com o bem de todos trabalhando muitas vezes por bondade e um mero almocinho, jantareco ou uma viagenzita! Os meus “abridores” têm uma memória impressionante e nunca aceitam nada para além do cafezito da máquina manhosa do escritório quando o problema se dá para aquelas bandas. Há tempos um deles, o Sr. Serafim da Bernarda (assim chamado porque é a mulher, a dita Bernarda, quem manda por aqueles lados), quando o questionei por um desconto além de dizer que a patroa não gostava desses pedidos, fez questão de me lembrar que da última vez para simplificar os trocos me tinha cobrado menos uns míseros cinco euros, e atirou-me ainda cheio de personalidade: veja lá a factura da semana passada!! - Restou-me desabafar para a gravata que o raio do meu “meu abridor de portas” para além da fidelidade em contas à Bernarda tem cá um temperamento de me#$*†‼ŤᴪL!!

                Duas semanas consecutivas esteve o país inteiro a discutir “os abridores de porta” e a sua memória, por causa do Vasco ter reclamado! Debateu-se o que almoçam, jantam, onde dormem e as contas das suas imensas despesas. Sim, porque um bom “abridor” é um homem de muitas despesas e nunca passa de um remediado. O Vasco pode ter razão mas foi um bocadinho queixinhas talvez porque o seu “abridor” seja do tipo Serafim da Bernarda ou então é mesmo um ressabiado “abridor de portas” por alguém lhe ter tirado um cliente.

                   Isso já me aconteceu uma certa vez que o Serafim da Bernarda não dava sinal de vida e a devida atenção à minha urgência e chamei o Leonel da Rotunda, um tipo que apesar dos seus cento e vinte quilos, é muito mais lesto e de vez em quando mais compreensivo com o meu problema e faz uma atençãozita. Nessa ocasião o Serafim da Bernarda quando o confrontei com o preço do Leonel, olhou-me por cima dos óculos de lentes fundo-de-garrafa e metralhou-me severamente com palavras duras acompanhadas de perdigotos ainda do café da manhã: Oiça lá!! Pensa que não tenho memória? Tenho mulher para dar o dinheiro e recibos para passar. Desconto mas que desconto! Não sou um “abridor” gordo de uma rotunda qualquer – não me restou outra coisa que desabafar mais uma vez para a minha gravata: me#$*†‼ŤᴪL de “abridor de portas” que arranjei! 

                     Hoje, início de um novo mês, quando fazia o resumo e as contas do trimestre anterior e repensando o negócio dei por mim a pensar: que falta me faz um bom “abridor de portas”, porque esta crise além de incomodar como carraça no pêlo do cão, o trabalho é cada vez mais, a rentabilidade menor e a prole tem que ser criada e sustentada. Um bom “abridor” dava cá um jeitão mas um desses que se fala! Pouca memória, pouca confusão com papéis mas muito diligente e sério. Todos sabemos que um bom “abridor de portas” conhece sempre outros abridores que são amigos de donos de portas no estrangeiro e nunca se sabe onde, quando e como se precisa de um!

                   Desculpem, mas um “abridor de portas” dá sempre jeito! Quem nunca desejou um na fila das finanças, do hospital, na banca fique com a carraça do cão!

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 13:16
 O que é? |  O que é? | favorito (1)

Outubro 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


arquivos
2016

2015

2014

2013

2012

2011

2010

2009

2008

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO