José Carlos Madeira - se elegeres a sinceridade como teu propósito de vida, manterás sempre livre a tua opinião e a tua mente liberta em cada palavra!

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Abr 10

Realçando o meu texto anterior em relação ao negócio TVI/PT, hoje surge em vários meios a noticia que um dos personagens intervenientes nesta história - Paulo Penedos, o assessor jurídico da empresa PT e trabalhando directamente com Rui Pedro Soares ( o tal administrador que estava livre e "mais à mão" )desmentiu em plena comissão de inquérito parlamentar o seu presidente Zeinal Bava. Paulo Penedos vem dizer que desde Maio de 2009 estava a intervir no negócio para a compra da participação da Prisa pela PT, contrariando a versão do seu presidente que que só apenas a 19 de Junho Rui Pedro Soares participou pela primeira vez, numa reunião.

 

Este episódio e outros anteriormente surgidos reforçam o meu artigo anterior, que foi mal conduzido todo o processo público por parte de Zeinal Bava e as suas declarações nas diversas ocasiões um desastre total, sujeitando a sua imagem pública a um desgaste evitável. Teria sido mais criterioso tentar evitar a exposição do presidente de uma das maiores e de referência internacional das empresas portuguesas. Fica mais uma vez colada injustamente a imagem de Zeinal Bava como de um gestor colado ao poder politico, que nestes pequenos detalhes deixa junto da opinião pública a suspeição de ter querido escamotear o envolvimento do governo neste episódio.

 

É demais evidente que todos sabiam do possível negócio, não fosse Rui Pedro Soares um quadro do partido socialista com ligação estreita ao líder e Paulo Penedos um homem de ligações a figuras influentes com peso interno no aparelho socialista. A acrescentar a estes factos é por demais evidente nas escutas até agora tornadas públicas,  que também eram personagens que não conseguiam guardar um segredo.

 

Assim segue a tragi-comédia de um negócio gorado, em que vão passando personagens que acrescentam e alimentam um mau enredo. Ontem assistimos à prestação do antigo presidente da Media Capital que vendeu a sua participação aos espanhóis da  Prisa que iriam vender agora à Pt - Paes do Amaral. O mesmo que agora se comenta ter pretensões de regressar ao comando da empresa que lidera a TVI. Foi com espanto que o ouvi defender a posição do governo e da administração da PT, dizendo que acredita que a PT não informou o governo pois não precisaria por se tratar de um empresa muito poderosa e com uma administração forte, transmitindo a ideia que a mesma não se deixa influenciar na sua gestão por membros do governo. Esqueceu-se Paes do Amaral que sendo uma "Golden Share" a PT tem o poder que a politica quer que tenha e tanto assim foi que o governo perante tanta agitação acabou por a informar que se oporia ao negócio, terminando com todas as negociações em definitivo. Perante esta afirmação de poder e independência da PT e da sua administração que segundo afirmou constatou ao longo dos anos, estranha-se o queixume de Henrique Granadeiro contra um ex-ministro social-democrata, denunciando pressões para alterar quadros em órgãos de informação participados pela PT na ocasião e ter levado à sua saída de presidente. Paes do Amaral tem andado distraído e bem nos seus negócios e corridas de velocidade.

 

Amanhã virá outra personagem nesta tragi-comédia que nos entreterá  enquanto o país suspenso espera um final que não virá nem se perceberá. Entretanto no intervalo vou informando para não que se distraíam com o enredo que o petróleo ontem dia 20 de Abril atingiu o preço de 85.11 dólares o barril, o euro voltou a cair face ao dólar devido aos receios de crise financeira na "Zona Euro" por causa da preocupante situação na Grécia e do receio com as finanças de outros países como a Espanha, Irlanda e Portugal - sim nós mesmos, o país das comissões parlamentares de ética e outras afim inconclusivas. O insuspeito, sempre directo e contundente Daniel Bessa deixa um alerta sobre o "PEC" numa conferência - " ou se entendem ou isto acaba mal!" - suspeito que terá razão uma vez mais!

 

Termino com uma sugestão de leitura para os mais entusiastas acompanhantes desta tragi-comédia - leiam enquanto aguardam o levantar do pano dos próximos actos a obra magnifica de teatro do fantástico dramaturgo e poeta Samuel Beckett, "À espera de Godot". Assim estamos nós esperando o nosso Godot que não chega!

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 13:25
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