José Carlos Madeira - se elegeres a sinceridade como teu propósito de vida, manterás sempre livre a tua opinião e a tua mente liberta em cada palavra!

02
Dez 16

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O MANGUITO DO DIA vai para o PSD!

Pela imaginativa desculpa  para não estar presente nas comemorações da Retauração da Independência! Segundo algumas fontes a razão foi porque não gostou do tom em que foi feito o convite.

Fica-se eternecido pelo amuo infantil.

 

 

 

José Carlos Madeira

 

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12
Fev 16

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24
Mar 15

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                                                                 DIZEM POR AÍ QUE MORREU HERBERTO HÉLDER

 

 

Dizem por aí que morreu Herberto Hélder, o poeta.

Mais que um poeta, um homem de pensamento livre. Decidiu com liberdade e coragem sempre a sua vida e o que fazer com a sua obra. A sua poesia era dele, emprestada á voz e à imaginação dos outros. Nunca se subjugou a editores, agentes literários e a críticos. Foi o que foi, nunca deixou que fizessem de si e da sua obra o que não quis. Traçou o seu caminho no acaso da independência, deixou-se ir pela corrente do seu próprio rio fazendo sempre o que melhor conseguiu em cada represa que lhe foi colada, muitas vezes traiçoeiramente. De todo o trajecto sobejou caracter, a sua liberdade, a sua resistência ao status quo instalado em todos naipes intelectuais deste país arregimentado.

No rio que foi a sua vida, deslizou, colheu imagens que transformou em palavras tão unicamente escritas e ditas, construiu e destruiu castelos, embalou e estremeceu-nos, brincou com as palavras com dureza como as arredondou, deu-lhes cor, movimento e música como ninguém o fez.

Abro a televisão e os noticiários insistem: morreu Herberto Hélder! Como se fosse possível um poeta morrer, é tão simplesmente uma parte do seu trajecto, a chegada á sua foz onde as suas águas tão diferentes dos demais se juntarão sem se confundirem com as de Pessoa, de Jorge Sena, de Sophia de Mello Breyner. E se ao olharem para o mar virem um pedaço verde que se transmuta o tempo todo e resiste à ondulação e á espuma que vêm beijar as areias dos mais comuns e da vulgaridade, aí está o Herberto Hélder.

Fico com a sensação que Pessoa, ordenará a Álvaro de Campos que vá na sua moderna barcaça receber Herberto com os braços abertos cintando-se a si mesmo:

E proclamo (meu caro Herberto-imagino eu a forma)

(…)

Primeiro:

O Super-homem será, não o mais forte, mas o mais completo!

E proclamo também: Segundo:

O Super-homem será, não o mais duro, mas o mais complexo!

E proclamo também: Terceiro:

O Super-homem será, não o mais livre, mas o mais harmónico!

Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando(-te, digo e imagino eu uma vez mais) abstractamente o Infinito.

 

Herberto Hélder é um poeta que viverá ao longo dos tempos pelas suas palavras, pela sua diferença harmoniosa, e o mais importante serão sempre os seus poemas e a única forma de o elogiar, enaltecer, fazer valer a pena cada dia da sua existência entre nós, é lê-lo e dar a ler aos outros, partilhar! Daí que o mais importante neste texto é a poesia de Herberto Hélder e por isso transcrevo o poema que tantas vezes reli:

 

A Bicicleta pela Lua Dentro - Mãe, Mãe

A bicicleta pela lua dentro - mãe, mãe - 
ouvi dizer toda a neve. 
As árvores crescem nos satélites. 
Que hei-de fazer senão sonhar 
ao contrário quando novembro empunha - 
mãe, mãe - as tellhas dos seus frutos? 
As nuvens, aviões, mercúrio. 
Novembro - mãe - com as suas praças 
descascadas. 

A neve sobre os frutos - filho, filho. 
Janeiro com outono sonha então. 
Canta nesse espanto - meu filho - os satélites 
sonham pela lua dentro na sua bicicleta. 
Ouvi dizer novembro. 
As praças estão resplendentes. 
As grandes letras descascadas: é novo o alfabeto. 
Aviões passam no teu nome - 
minha mãe, minha máquina - 
mercúrio (ouvi dizer) está cheio de neve. 

Avança, memória, com a tua bicicleta. 
Sonhando, as árvores crescem ao contrário. 
Apresento-te novembro: avião 
limpo como um alfabeto. E as praças 
dão a sua neve descascada. 
Mãe, mãe — como janeiro resplende 
nos satélites. Filho — é a tua memória. 

E as letras estão em ti, abertas 
pela neve dentro. Como árvores, aviões 
sonham ao contrário. 
As estátuas, de polvos na cabeça, 
florescem com mercúrio. 
Mãe — é o teu enxofre do mês de novembro, 
é a neve avançando na sua bicicleta. 

O alfabeto, a lua. 

Começo a lembrar-me: eu peguei na paisagem. 
Era pesada, ao colo, cheia de neve. 
la dizendo o teu nome de janeiro. 
Enxofre — mãe — era o teu nome. 
As letras cresciam em torno da terra, 
as telhas vergavam ao peso 
do que me lembro. Começo a lembrar-me: 
era o atum negro do teu nome, 
nos meus braços como neve de janeiro. 

Novembro — meu filho — quando se atira a flecha, 
e as praças se descascam, 
e os satélites avançam, 
e na lua floresce o enxofre. Pegaste na paisagem 
(eu vi): era pesada. 

O meu nome, o alfabeto, enchia-a de laranjas. 
Laranjas de pedra - mãe. Resplendentes, 
estátuas negras no teu nome, 
no meu colo. 

Era a neve que nunca mais acabava. 

Começo a lembrar-me: a bicicleta 
vergava ao peso desse grande atum negro. 
A praça descascava-se. 
E eis o teu nome resplendente com as letras 
ao contrário, sonhando 
dentro de mim sem nunca mais acabar. 
Eu vi. Os aviões abriam-se quando a lua 
batia pelo ar fora. 
Falávamos baixo. Os teus braços estavam cheios 
do meu nome negro, e nunca mais 
acabava de nevar. 

Era novembro. 


Janeiro: começo a lembrar-me. O mercúrio 
crescendo com toda a força em volta 
da terra. Mãe - se morreste, porque fazes 
tanta força com os pés contra o teu nome, 
no meu colo? 
Eu ia lembrar-me: os satélites todos 
resplendentes na praça. Era a neve. 
Era o tempo descascado 
sonhando com tanto peso no meu colo. 

Ó mãe, atum negro — 
ao contrário, ao contrário, com tanta força. 

Era tudo uma máquina com as letras 
lá dentro. E eu vinha cantando 
com a minha paisagem negra pela neve. 
E isso não acabava nunca mais pelo tempo 
fora. Começo a lembrar-me. 
Esqueci-te as barbatanas, teus olhos 
de peixe, tua coluna 
vertebral de peixe, tuas escamas. E vinha 
cantando na neve que nunca mais 
acabava. 

O teu nome negro com tanta força — 
minha mãe. 
Os satélites e as praças. E novembro 
avançando em janeiro com seus frutos 
destelhados ao colo. As 
estátuas, e eu sonhando, sonhando. 
Ao contrário tão morta — minha mãe — 
com tanta força, e nunca 

— mãe — nunca mais acabava pelo tempo fora. 

 

HERBERTO HÉLDER

 

Eu continuarei por aqui como tantos outros a ler, a dizer, a declamar, a encontrar caminhos largos em cada teu poema. Obrigado (porque tu foste o maior de todos sem saltos altos, sem bicos de pés, sem muletas) porque nos deixaste o teu melhor…

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 22:47
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22
Mar 15

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publicado por O Principe às 22:51
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01
Out 14

 

 

Escritos à Quarta...

 


MAS QUE RAIO DE NEGÓCIO

(…eu havia de arranjar! Trabalho até fartar, memória nem falar)

                   Os meus colaboradores e toda família divertem-se com o meu problema com portas e as respectivas chaves. A minha hiperactividade, faz com que quase diariamente tenha situações recorrentes de ser demasiado cuidadoso a fechar as portas mas a nunca salvaguardar que tenho de facto as suas chaves comigo. Inclusive já mudei o tipo de fechadura do meu gabinete para que só seja trancada com a introdução da própria chave. Este meu desvario, assim chamo á falta de melhor adjectivação porque é mais que uma mera distracção, tem-me causado problemas sérios, perturbando a agenda completa do dia, como me bloqueia por completo durante horas seguidas além de me pôr possesso contra mim mesmo! Mas, o pior tem sido as contas para os senhores das fechaduras, conhecidos como “abridores de portas” que tenho três ou quatro nomes sempre na minha agenda de contactos para as constantes urgências. A dimensão chegou ao ponto de um colaborador dizer-me,na chacota, que devia ter um “abridor de portas” permanente na empresa.

                 Pensei que o problema era só comigo ou com outros com esta disfunção mas todos ficámos a saber nas últimas semanas que o mesmo se passa inclusive com intitulas "empresas importantes", que se vêm obrigadas a contratar “abridores de portas”. É mesmo um problema nacional que desconhecia e houve quem suspeitasse que o melhor local para os recrutar é para as cercanias de S. Bento (mas não é exclusivo). No entanto, os meus “abridores de portas” são muito mais exigentes, além de lhes ter de pagar a deslocação e o serviço, acrescentam o Iva e não fazem qualquer desconto em relação á quantidade contratada de serviços ou por ser um cliente assíduo. E fico mais furioso ao saber que os outros “abridores de portas ” são de fraca memória e muito compreensivos com o bem de todos trabalhando muitas vezes por bondade e um mero almocinho, jantareco ou uma viagenzita! Os meus “abridores” têm uma memória impressionante e nunca aceitam nada para além do cafezito da máquina manhosa do escritório quando o problema se dá para aquelas bandas. Há tempos um deles, o Sr. Serafim da Bernarda (assim chamado porque é a mulher, a dita Bernarda, quem manda por aqueles lados), quando o questionei por um desconto além de dizer que a patroa não gostava desses pedidos, fez questão de me lembrar que da última vez para simplificar os trocos me tinha cobrado menos uns míseros cinco euros, e atirou-me ainda cheio de personalidade: veja lá a factura da semana passada!! - Restou-me desabafar para a gravata que o raio do meu “meu abridor de portas” para além da fidelidade em contas à Bernarda tem cá um temperamento de me#$*†‼ŤᴪL!!

                Duas semanas consecutivas esteve o país inteiro a discutir “os abridores de porta” e a sua memória, por causa do Vasco ter reclamado! Debateu-se o que almoçam, jantam, onde dormem e as contas das suas imensas despesas. Sim, porque um bom “abridor” é um homem de muitas despesas e nunca passa de um remediado. O Vasco pode ter razão mas foi um bocadinho queixinhas talvez porque o seu “abridor” seja do tipo Serafim da Bernarda ou então é mesmo um ressabiado “abridor de portas” por alguém lhe ter tirado um cliente.

                   Isso já me aconteceu uma certa vez que o Serafim da Bernarda não dava sinal de vida e a devida atenção à minha urgência e chamei o Leonel da Rotunda, um tipo que apesar dos seus cento e vinte quilos, é muito mais lesto e de vez em quando mais compreensivo com o meu problema e faz uma atençãozita. Nessa ocasião o Serafim da Bernarda quando o confrontei com o preço do Leonel, olhou-me por cima dos óculos de lentes fundo-de-garrafa e metralhou-me severamente com palavras duras acompanhadas de perdigotos ainda do café da manhã: Oiça lá!! Pensa que não tenho memória? Tenho mulher para dar o dinheiro e recibos para passar. Desconto mas que desconto! Não sou um “abridor” gordo de uma rotunda qualquer – não me restou outra coisa que desabafar mais uma vez para a minha gravata: me#$*†‼ŤᴪL de “abridor de portas” que arranjei! 

                     Hoje, início de um novo mês, quando fazia o resumo e as contas do trimestre anterior e repensando o negócio dei por mim a pensar: que falta me faz um bom “abridor de portas”, porque esta crise além de incomodar como carraça no pêlo do cão, o trabalho é cada vez mais, a rentabilidade menor e a prole tem que ser criada e sustentada. Um bom “abridor” dava cá um jeitão mas um desses que se fala! Pouca memória, pouca confusão com papéis mas muito diligente e sério. Todos sabemos que um bom “abridor de portas” conhece sempre outros abridores que são amigos de donos de portas no estrangeiro e nunca se sabe onde, quando e como se precisa de um!

                   Desculpem, mas um “abridor de portas” dá sempre jeito! Quem nunca desejou um na fila das finanças, do hospital, na banca fique com a carraça do cão!

 

José Carlos Madeira

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30
Set 14

 

Escrito ao domingo…

 

 

 

 

 

 

“ E depois do Adeus…que nos valha António - o Santo”

 

Na política a dignidade é o que é! Dependente do momento, das circunstâncias e de quem apregoa! Hoje terminou a extensíssima e nefasta batalha das primárias para a eleição do candidato a primeiro-ministro, com a vitória de António - o Costa. O tal, dos dois Antónios, que foi apregoado como traidor, desleal, o homem subjugado aos interesses financeiros e á promiscuidade dos negócios com a política. Ao escutar este chorrilho de acusações fortes a maioria dos portugueses que já assumiu a maioridade democrática olharia de soslaio para tão vil personagem e de certeza que não se deixaria embrenhar, nem iludir depois de em intensos dois meses o seu adversário, o António - o Seguro, ter ininterruptamente alertado em voz alta aos quatro ventos para os perigos da indignidade do outro. No entanto, hoje (domingo) uma parte dos portugueses, numa manifestação ímpar na nossa democracia acorreu às urnas e disseram que preferiam o traidor, o desleal, o político das negociatas, o amigo dos amigos de empresas dúbias! Dito da forma acima, parece uma tragédia e que a maioria de uma nação ainda está mergulhada no obscurantismo e na ignorância mas é exactamente o seu contrário! A grande e surpreendente participação de militantes e simpatizantes socialistas nestas primeiras primárias em Portugal de um dos grandes partidos sistémicos demonstrou a maturidade de um democracia e a fórmula correcta para levar os portugueses a intervirem cada vez mais na vida politica e a decidirem desde a base quem desejam para comandar os seus desígnios e não confrontados irremediavelmente com escolhas internas e resultante da correlação sempre duvidosa ente as facções partidárias.

 

Além da participação do nível de participação é de realçar sobretudo o entusiasmo e o espirito de missão que era visível nos participantes nas filas de espera, nos grupos de amigos que discutiam perto das assembleias, nos cafés e em outros locais. Apesar dos meus pacos nove anos de idade aquando das primeiras eleições livres em Portugal, recordo-me desse momento e essencialmente do entusiasmo, até uma expressiva alegria vivida que via em familiares, amigos e vizinhos. Ontem recordei esse tempo e até com alguma emoção, porque não descurem os trocistas que é um momento novo e de viragem na vida dos portugueses e que no futuro nada será como conheceram até aqui ao nível politico. Ouve um recado sublimar de uma nação á classe política: se permitirem participar nas decisões do sistema politico no seu todo, se não tiverem medo que os resultados ponham em causa os interesses de grupos e grupelhos, os portugueses dizem um sim em massa á sua participação e não se coíbem em decidir.

 

Mas para além do nível de participação ter proporcionado um momento histórico, tenho a certeza que virá a constar nos manuais de história como o “consolidamento” da democracia num tempo de crise generalizada mas o seu resultado também não é de menor importância, como sub-repticiamente os vencidos tentam secundarizar, perante o autêntico soco no estômago que receberam. O resultado e a  diferença final entre os candidatos, recebendo o vencedor cerca de 70% dos votos, não deixam margem de dúvidas quanto à opinião e ao desejo dos votantes em relação aos dois opositores! Daqui se deve tirar conclusões, não só dentro do Partido Socialista ou em especial da facção perdedora que apostou na fórmula do populismo desbragado, apimentado com o ataque pessoal e da vitimização choramingas! Talvez inconscientemente foram induzidos num erro primário de análise do resultado das últimas eleições Europeias que despoletaram esta contenda; tomaram como assertiva e de resultado fácil a estratégia de Marinho e Pinto, que utilizando um partido existente e inaugurando o sistema de barriga-aluguer politico, retirou muitos votos ao PS liderado por António, o Seguro, com um populismo demagogo e até caduco. Os conselheiros do secretário-geral do Partido Socialista, não conseguiram discernir que os votos que perderam então para Marinho Pinto, não foram consequência de alguma estratégia pensada e coordenada, pelo caracter do personagem e muito menos por um eventual programa político. A eleição de Marinho e Pinto e por arrasto mais um compincha desconhecido do partido-barriga-de-aluguer, obtendo a inimaginável percentagem de 7.7%, foi só e apenas o resultado de um voto maciço de protesto de um eleitorado de centro-esquerda que além de descontente com a maioria de centro-direita da governação, não se revia e não acreditava numa alternativa protagonizada por António José Seguro que nunca foi capaz de galvanizar e entusiasmar para além do seu restrito grupo de indefectíveis! Em vez de assumirem este facto e reconhecerem os pacos resultados, insistiram numa estratégia ao estilo de D. Quixote alienados da realidade, tentando que todos vislumbrássemos “moinhos de vitórias épicas” onde apenas existiu uma pifíssima vitória! O mais impressionante é que para além de não perceberem que não eram escutados pela esmagadora maioria, continuaram em altos gritos a apregoar por uma vitória épica não percebendo que o que escutavam de retorno era apenas e só o eco das suas vozes e o que vislumbravam era uma miragem do que apenas desejavam. Na vida política quase sempre um desejo não é mais que um moinho de vento, que roda, roda mas se o moleiro não tem bom ou sequer algum trigo, nenhuma boa farinha fará, apenas se limitando a rodar e a libertar um silvo ao vento… Não entenderam que neste momento politico em Portugal, a maioria não estava interessada se António - o Costa, era tido como traidor, desleal ou quem era o Godinho de Matos, o homem das negociatas, que de repente viu-se na ribalta e nas paragonas sem perceber porquê! O que a esmagadora maioria dos seus militantes e simpatizantes era uma alternativa diferente de Passos Coelho e da sua política, a possibilidade de exprimir o seu voto e contestação sem demagogos do reino-do-faz-de-conta e acima de tudo tinha dificuldade em reconhecer a António - o Seguro, a capacidade de fazer e liderar a mudança. Um líder que confessa que se anulou durante largo tempo perante os seus adversários para um eventual bem do seu partido, certo voltará a o fazer perante outras situações e para gerir silêncios já nos basta o actual Presidente da Republica.

 

Mais intrigante, é que apesar da larguíssima vitória do António- o Costa, as hostes do António - o Seguro, prosseguiram barricadas na sua verdade. De nenhum se foi capaz de ouvir com honestidade algo semelhante a: foi uma grande e inequívoca derrota –ou- não fomos capazes de compreender que os portugueses não nos queriam como alternativa!! – Porque foi tudo isto que os militantes e simpatizantes disseram com o seu voto!

É completamente insano e até intolerável intelectualmente ouvir-se falar e louvar a dignidade do líder na hora de saída, como se um mero cumprimento de voz embargada ao vencedor, pudesse fazer esquecer os ataques pessoais e outras peripécias durante a campanha. Como se a política fosse uma esponja enorme com água e sabão que num ápice lava e apaga tudo! É quase pateticamente poético, ouvirmos o lamento terno de João Soares ou de Álvaro Beleza por António, o Costa, não ter tido uma palavra para o seu derrotado e combalido António - o Seguro! Onde estavam estes quando o seu digno líder achincalhava vários camaradas de partido politica e pessoalmente, trazendo a seira da roupa suja para o tanque de lavagem publico. Terá esquecido João Soares o que é ser denegrido, quando era na praça pública maquiavelicamente questionada a razão do seu apoio à Unita, ou com a eterna comparação com o seu pai e na sua derrota contra Santa Lopes? Terá Álvaro Beleza percebido que um país está muito para além de um pacto poético e ternurento entre amigos ou e de um desejo e que para o obter não é lícito arremessar e dizer tudo, sermos exigentes com os adversários e compassíveis, justificativos e piegas com os nossos. O direito á dignidade dos nossos oponentes não é menos importante que a nossa!

 

“E depois do Adeus..” de António- o Seguro, tenho o direito de sonhar que hoje a politica portuguesa mudou, não havendo mais espaço à demagogia, ao populismo desbragado, ao oportunismo temporal de “Beppe Grillo’s”, a pactos e desejos de amigos e amigalhaços que de imediato pedem como crianças nas brincadeiras peçangas depois de terem atirado primeiro as pedras todas ao outro lado da mesma rua. Em mim e em muitos portugueses ficará um sorriso sarcástico nos tempos mais próximos sempre que ouvirmos frases como: Olha, António…- ou - …e tu António… sabes o que fizeste?...

 

Que nos valha António - o Santo, que se saiba nem era de apelido Costa ou Seguro, mas que era tido por alguns como protector dos mudos que emudeça em instantes de desvario todos os Antónios deste reino! 

 

 

 

José Carlos Madeira

 

 

 

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10
Set 14

 

Escritos à Quarta  

 

 

“OLHA ANTÓNIO…”

ou os versos de “E depois do Adeus”

 

O país esperou com expectativa a confrontação televisiva de ontem dos candidatos socialistas á liderança do partido e a possível futuro primeiro-ministro! António José Seguro e António Costa. Acabou por ser um debate com uma total nulidade de ideias para as questões reais do país, ideal para cada uma das hostes de apoiantes impor a bandeira da vitória mas que não interessará nada nem resultará por si em alguma derrota.

 

Dos dois Antónios, ficamos a não saber o essencial das suas pretensões para o país neste momento tão crítico como o de há quatro anos, em que tudo está por ser feito ao nível das reformas essenciais. De ambos não sabemos que tipo de estado pretendem, que tipo de sociedade, apenas ficam e restam no ar vagas intenções e desejos que fomos ouvindo aqui e ali.

 

Sabemos que António, o Seguro, deseja uma sociedade voltada para o crescimento, para o emprego e desenvolvimento, não vai aumentar os impostos, baixa o Iva da restauração e já fez as contas, pronto! – Como se fosse algo tão simples como carregar no botão da Máquina dos Desejos na Feira Popular e de pronto aparece o Mago e já está!..Ou como quem busca busca no Google uma receita de arroz-doce ou farófias (que desculpem lá as outras mães mas as da minha mãezinha eram únicas). Nem uma ideia concreta que tipo de Estado Social quer, como o vai sustentar e manter, que alterações profundas na sociedade portuguesa advoga e pretende fazer. Repetiu vezes contínuas a sua seriedade e a necessidade de uma nova forma de fazer politica mas utilizou essencialmente no debate uma receita antiga de ataque pessoal e intimidação mais ao nível dos tempos do PREC. António, o Costa, bem podia ter tido a presença de espirito e ter respondido às acusações de traição e deslealdade e falta de solidariedade com um “Olhe que não, olhe que não, (Dr. António) ” – relembrando-nos o verão quente de 1975 e o célebre debate entre Soares e Cunhal. Teria sido um momento único de televisão! Mas não, ficou-se nas cordas do ringue, amorfo, sustentando e esquivando-se com os seus princípios de consciência. No final ficou a ideia que o desejo tão intenso destes debates que tinha António, o Seguro, era essencialmente para publicamente, olhos nos olhos e perante uma plateia enorme chamar de traidor e desleal ao colega António, o Costa! Veio-me a imagem de um político e amante traído do seculo XIX que desafiaria o seu rival para um duelo às portas do Largo do Rato, daria um argumento fabuloso para uma obra de Camilo Castelo-Branco.

 

António, o Seguro, devia saber a regra de ouro de quem ocupa um cargo de direcção partidária e até em outros sectores, um líder assume-se desde o seu primeiro dia e não se deixa anular ou será sempre posto em causa e a qualquer momento será confrontado com o desafio ao seu poder. Mas este António esclareceu-nos prosaicamente que o se anulou por iniciativa própria durante bastante tempo para bem de todos, como uma dona de casa que tenta preservar o lar entre guerras e birras dos filhos, das zangas do marido com a sogra e se vai mantendo num silêncio podre à frente da família e um dia decide pôr cobro a tudo e dá uma valente sofá aos pequenotes, põe as malas á porta ao marido e a mãe num lar! Esqueceu-se da chamada “noite das facas frias” em que quando é confrontado pelo outro António, o Costa, que depois recua no seu desejo de assaltar o poder, acaba a pedir abracinhos ao seu rival e a propor acordos a lembrar as guerras “de Alecrim e Manjerona” uma ópera sátira e jocosa como toda esta trama. A corroborar a sua constante desastrada estratégia, se de facto a tem e não é tudo mais feitio e temperamento, o que será mais perigoso, ficaram ontem os portugueses com um sorriso cínico e trocista quando escutaram da sua voz que se demitirá senão tiver outra opção que não seja aumentar os impostos. Não explica qual é a sua equação, que contas fez, de onde subtrai, onde acrescenta e divide para multiplicar por todos. Sabemos que se for eleito primeiro-ministro será em 2015 e só será hipoteticamente responsável pelo orçamento do ano seguinte! E no próximo ano várias contingências, essencialmente internacionais, poderão alterar por completo todas as contas e equações idealizadas… ou pretenderá rasgar todos os compromissos com a união europeia e ser um outsider – não lhe reconheço tanta ousadia e coragem (ou melhor irresponsabilidade). Todo o país percebeu a “azelhice” e comentou-a durante o dia, como aconteceu na noite das eleições Europeias que começou com o seu candidato aos “saltos” reivindicando uma vitória estrondosa que depois se veio a verificar para todos que foi pífia mas que ainda hoje o António, o Seguro, assume como histórica fazendo uma análise tal qual um treinador de futebol que venceu com um penalti no último minuto a equipa rival e diz aos associados que deu um “ ganda banho-de-bola”. Em tudo isto António, O Costa, remeteu-se ao silêncio escondendo-se uma vez mais nas cordas com o argumento que tudo tem de ser ponderado e é um homem de consciências.

 

Do Costa, desculpem, do António, de quem a maioria dos portugueses e penso que também dos simpatizantes do Partido Socialista, está-se a borrifar se foi leal ou desleal, traidor ou fura-acordos e se preocupam mais com quem poderá ser o seu primeiro-ministro, ficamos a saber que é ponderado porque terá um plano para o país, que também assenta no Estado Social, no crescimento e no emprego e numa sociedade de ideais de esquerda que mais tarde saberemos em que tudo se fundamenta como que numa benevolência magnânima para não nos saturar com muita informação.

O debate, que ficará conhecido como o dos “Antónios” ou do “…isto não se faz António”, resumiu-se á imagem de um combate de boxe, em que um dos pugilistas, desta vez o António, o Seguro, entrou de rompante mostrando estar cheio de energia e vivo, bateu, bateu mas sempre com a mesma mão enquanto António, o Costa, se refugiou ordeiramente nas cordas, no canto menos iluminado esperando que o seu adversário se perdesse no seu próprio folguedo. No final, os treinadores torceram o nariz, limpou o suor da testa, antevendo tempos difíceis e disse: “Olha António…se queres ganhar isto tens que fazer mais….”

 

Teria sido um bom debate nos anos oitenta mas para um congresso da Juventude Socialista mas a idade dos Antónios já não permite estas coisas e o país merece mais. Hoje, como nas longas noites do Festival da Canção das décadas de sessenta e setenta do século, o país vai-se sentar a assistir ao segundo round entre os Antónios, torcendo entre a Madalena Iglésias e a Simone de Oliveira! Desculpem: entre o Seguro e o Costa! Eu cá por mim prefiro o Paulo de Carvalho só por causa do “…E depois do Adeus”, cujos primeiros versos bem podiam ser declamados pelos dois (nenhum parece ter voz para cantar): Quis saber quem sou / O que faço aqui / Quem me abandonou / De quem me esqueci… - e seria como uma justificação para este medíocre desempenho que nos deram ontem!

 

Os portugueses precisam de mais e melhor para acreditar neste PS que se vai agonizando até às eleições do final do mês, de debate em debate. Cheguem elas rápido e pare a pobre opereta!

 

José Carlos Madeira

 

 

publicado por O Principe às 19:55
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14
Mai 13

A história dos relatórios da OCDE, oferecem-nos várias visões e possíveis comentários mas também podem demonstrar que independentemente do governo e a sua postura ideológica de quem está no poder, normalmente contêm posições do agrado dos mesmos.
Não foram apenas dois relatórios que a OCDE elaborou sobre Portugal e na sua maioria apelavam a consensos nacionais e a medidas simpáticas para quem comandava a governação.


Numa visão diferente, há dois anos o PSD classificou o relatório como um fato feito á medida das pretensões de Sócrates e hoje temos o inverso! O que parece á maioria dos portugueses é que estes relatórios acabam por não ter qualquer impacto ou importância, até porque alguns dos seus textos são empíricos, generalistas e até inconclusivos face a alguns elementos conjunturais. É normal o aproveitamento politico por parte de um partido quando lhe é favorável um relatório de um organismo de significativa importância no panorama internacional e a indignação da sua oposição mas o que é conclusivo é que a OCDE não sai nem tem visto a sua imagem de credibilidade reforçada com relatórios que afinal nada concluem! Recordando os mais incautos que esta critica não tem sido só feita em relação a Portugal.

 

Como dizia alguém conhecido esta manhã "quero morrer sem ler um relatório destes", eu já li mais que um e concluí o mesmo que ele, nada acrescenta a uma análise da nossa realidade....como diz o bom alentejano "cocó cagou a canita" (venha o próximo)!

 


José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 16:52
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Há tempos tivemos mais uma frase do Presidente digna de um comentador como o Camilo Lourenço, o José Gomes Ferreira ou do seu discípulo Marques Mendes: Não digam depois que não avisei! 

 

Por Marques Mendes ficámos a saber que convocaria um Conselho de Estado mas quando todos pensamos que era para discutir a situação real do país afinal é para tecer teorias virtuais sobre o nosso futuro colectivo pós-troika! Isto numa ocasião em que a 7.ª avaliação foi encerrada com factos e compromissos pouco esclarecidos e confusos e não se conhece nem se percebe a verdadeira posição de um dos partidos da maioria governativa sobre algumas medidas extraordinárias tão relevantes como o corte nos rendimentos já parcos dos nossos pensionistas. Esta era a altura essencial para ter em Belém um Presidente esclarecido, exigente perante a governação e não um promotor de jornadas de debate bem mais ao estilo de "clubes elitistas pensantes" que em tempos de crise aparecem como cogumelos num bosque transmontano.

Este é um Presidente desastrado e desfasado na gestão do seu papel como principal magistrado da nação, não agradando nem convencendo a esquerda nem a sua direita e muito menos com capacidade de promover consensos e unidade no presente e nem com uma visão em relação ao futuro! 

 

O Conselho de Estado é mais do que um grupo lúdico de soirée que se reúne para dissertar sobre futuros hipotéticos. Há um desfasamento entre o Presidente e o país e a sua imagem de impoluto, de politico imaculado caiu definitivamente, basta observar a sua popularidade e o que a maioria dos portugueses pensa e a forma como o avalia!

Esperemos que alguns dos Conselheiros aproveitem a oportunidade para questionar a acção do próprio Presidente e o presente conseguindo quiçá que um Conselho de Estado não seja uma espécie de Universidade Sénior de Pensantes em prolongamento das já conhecidas e afamadas Universidades de Verão da Juventude da familia politica do Presidente!

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 15:47
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26
Abr 13

 

 

Cavaco Silva passou os últimos 30 anos da sua vida, rodeado por políticos e outros aprendizes da arte. A sua notoriedade e reconhecimento público advêm dos cargos e posições políticas mais do que como docente de mérito, funcionário zeloso do estado ou pela sua passagem pelo Banco de Portugal, que grande parte dos portugueses desconhece!

 

Viveu no meio politico, atuou, criticou – recordo o seu artigo sobre “a boa e a má moeda” visando Santana Lopes - opinou, demandou, escutou pouco e deu mais importância á opinião transviada e engordurada de vassalos! Quando chegou á presidência do PSD vigorava o “bloco central” governamental e deu logo aperceber a sua falta de tolerância e paciência á opinião contrária, á critica interna fechando as portas aos opositores e cultivando o culto do chefe, do impoluto! O momento histórico era favorável á sua postura, com as bases do seu partido saturadas de lutas internas e de poderes divididos. O país que preparava-se para integrar oficialmente a União Europeia e receber grandes apoios também se esgotava de cansaço após um período revolucionário, de duas intervenções do FMI e da instabilidade do especto politico. Concluindo, o seu perfil de competência, de rigor, sobriedade era talhado ao sucesso naquele tempo! Contudo, a sua arrogância e sobranceria com os seus opositores sempre esteve presente em vários momentos, raramente protagonizados directamente por si mas normalmente pela voz dos seus súbditos principais que formaram grupos e grupelhos batizados com os seus nomes - os Nogueiristas, os Barrosistas, os Loureiristas, os “enfant-terribles” dos Santanistas! Cavaco nunca deu importância á sua existência pois sabia que sobreviviam á custa da fidelidade á subserviência ao líder e não seriam mais que “efluentes” do próprio Cavaquismo! Tinha a noção que após a sua saída se guerreariam pelo poder e contrapoder, dividindo o próprio partido o que só beneficiaria a imagem do “grande líder impoluto” que terminara com o calvário do bloco central e obteve as únicas maiorias absolutas para o PSD sem coligação. Foi o homem que lhe trouxe alguma modernidade e pragmatismo á época. Tudo estaria certo e assim se teria eternizado senão fossemos uma democracia de paixões, ódios, amores e desamores própria dos latinos. 

O seu regresso á politica – se alguma vez esteve se ausentou - e a concretização da sua primeira vitória nas presidenciais trouxe a muitos dos seus correligionários adormecidos durante uma década, o regresso do perfume do poder, dos jogos de influência e da notoriedade social, politica e financeira. Começamos novamente a ver surgir na passerelle nomes que já não estávamos habituados a mencionar e a olhar para alguns com aquela suspeita e reticência “…este não é aquele?.. Há muito que não se ouvia falar nele…” Mas, por Portugal muita água passou pelas suas pontes numa década e muitos caíram em suspeitas de envolvimento nos casos mais badalados ou em ligações perigosas.

 

 

Assistimos no dia da vitória das eleições para o segundo mandato presidencial, vimos o que restou de Cavaco após toda a ressaca: um homem só, com alguns cinzentos mais fiéis do que leais que não se conseguiram elevar e se demarcar para além da teia do Cavaquismo! No seu discurso de vitória evidenciou nitidamente o homem revanchista e intolerante perante os seus críticos e opositores, de quem não tem um caracter unificador mas como sempre preocupado em alimentar a sua imagem incorruptível apesar do trajecto de alguns dos seus mais próximos colaboradores, com os casos evidentes de Duarte Lima, Dias Loureiro e Oliveira Costa!

Hoje Cavaco Silva é a sua própria sombra, com uma grande margem dos portugueses que no passado lhe concedeu duas maiorias absolutas a vê-lo como uma figura impopular e debaixo de forte contestação pela sua acção e posições mas sobretudo pela sua gestão pessoal do tempo e modo de intervir nos constantes acontecimentos nacionais. Não percebe que esta não é mais a época em que a maioria o via como um fiel gestor dos fundos que chegavam a uma velocidade vertiginosa da Europa, um fiel funcionário superior do estado que transmitia a todos uma imagem de rigor e sobriedade. Tem uma imagem endeusada de si, das funções e do papel de um presidente, que já são poucas na nossa constituição! Um Presidente que vive acima das querelas e dos comuns e só se manifesta quando ele próprio acha que é o tempo apropriado mesmo que tudo se desmorone vertiginosamente, a sua velocidade é outra! Como Deus que tem para os seus o seu próprio tempo para agir, só compreendido por si e que mesmo não se manifeste os seus crentes sabem que ele lá está omnipresente cuidando deles. Assim, enquanto Presidente, neste atual mandado, Cavaco crê que todos temos a obrigação de entender que quer se mantenha em silêncio ou não, nós acreditamos que está lá por nós e que a sua verdade e a sua ação são de suprema sabedoria e concordância acima das querelas e do momento actual de um povo avassalado por condições de vida austeras e sem futuro!

 

No seu último discurso oficial nas comemorações do 25 de Abril, revelou que continua a ter o seu próprio tempo e modo, indiferente á maioria dos portugueses e por vezes coerente com o que disse e comentou em outras situações recentes. Numa ocasião em que algumas vozes do PSD, mostram sérias preocupações e até desagrado quanto á sua posição perante algumas acções do governo, da sua relação com o líder do PS e em especial com as suas opiniões sobre questões de índole económico e financeiro, nas quais tem de si uma vez mais a imagem de “grande guru”, teve a necessidade inapropriada de sossegar as mentes inquietas da sua família partidária e reverter as criticas num aplauso entusiasta e acabar com o seu sobressalto de alma do seu isolamento politico e presidencial quando se encaminha para o fim de uma carreira em que nunca foi nem teve arte nem engenho para se conseguir manter independente dela. Cavaco chegou tardiamente á conclusão que o “Cavaquismo” já não existe, ele próprio não tem muito interesse para o futuro da maioria dos Portugueses para além do próprio PSD e para a história do partido. Portanto, deliberadamente optou em terminar os seus dias com os seus netos políticos sentado á lareira recordando os tempos áureos!

 

Este discurso de “25 de Abril”, que é o contrassenso da ação de um Presidente da Republica, num momento em que até internacionalmente se apela a um consenso politico alargado e abrangente, para além da periclitante maioria governativa! Hostilizou voluntária e desnecessariamente o maior partido da oposição em vésperas do seu congresso que será durante três dias o evento de maior cobertura e discussão nos media. Cavaco quis desajeitadamente ser ator num momento inconveniente e ainda por cima o protagonista. Colocou em risco a posição que deve preservar como maior magistrado da nação, independente e gerador de unidade nacional e minimamente consensual. O seu discurso foi faccionário, defensor de uma política e de uma estratégia financeira e económica que atualmente é claramente antipopular e minoritária e que tem conduzido ao falhanço de todas as metas que os próprios executores se propuseram! Colado a um consensual mau governo vai alimentar em muitos momentos a revolta, atitudes extremistas de contestação e o discurso radical e haverá barricadas inultrapassáveis de ambos os lados!

 

Um líder de oposição que fizesse um discurso com tais consequências num momento solene e de relevante significado politico ouviria um ralhete no recato do seu gabinete de que não tinha sido apropriado para o bem dos mercados e da estabilidade politica que os mesmos exigem.

Cavaco viveu sempre rodeado de políticos mas nunca conseguiu a destreza de pensar como um notável deles ou ser-lhe intelectualmente reconhecido um pensamento político. É demasiado linear como todos os tecnocratas que resumem tudo a uma mera equação. E como não se suporia teoricamente: existindo, vivendo e alimentando-se do meio não conseguiu ter e evidenciar um pensamento político na ascensão positiva da palavra. 

 

Cavaco nunca foi homem de consensos, a história e o momento político dos anos oitenta estiveram do seu lado na ocasião mas não entendeu que esses foram outros tempos e tudo e desvanece e se transforma e não é capaz de pensar para além do seu passado. Estamos no início da segunda década do SEC. XXI e não mais nas últimas décadas do século anterior.

 

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 20:24
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15
Fev 13

Hoje um grupo de manifestantes entoou a canção da revolução portuguesa "Grândola Vila Morena" nas galerias do Parlamento, quando o Pedro Passos Coelho começava a intervir no debate quinzenal. 

O Primeiro-Ministro, perdeu mais uma oportunidade para demonstrar a sua postura de estado  e a capacidade de respeitar o desagrado das muitas vozes presentes e que representam milhares em todo o país! Em vez de recomeçar a sua intervenção logo que as condições o permitiram preferiu lançar um aparte despropositado, num tom irónico e até de alguma jocosidade, referindo que era das manifestações de melhor bom gosto que já foram feitas no parlamento. Menorizou o acto evidente de contestação e o seu simbolismo com a sobrevalorização melódica e artistica patética ainda acentuada por um sorriso trocista.

 

É conhecida a inabilidade de Pedro Passos Coelho para lidar com situações adversas, de confrontação directa, de critica ás suas politicas e governação. Esta inquietação, irritabilidade e inabilidade sempre patentes já ficaram demonstradas na sua passagem pela JSD e em como alguns dos seus agiam com os seus críticos e adversários. Esta sua forma no mínimo desajeitada de reacção, foi em laivos evidenciada na entrevista á TVI e em muitas outras ocasiões ao longo deste periodo como primeiro ministro. Já na campanha eleitoral o tinha demonstrado em algumas situações, como o celebre caso da "machadinha" na visita á feira de Pevidém em que uma mulher rispida e despropositada ao ser abordada em campanha o mandou trabalhar em resposta atirou-lhe com a frase "...uma machadinha nas mãos lhe fazia bem.."repetindo-a algumas vezes durante a discussão!

Um politico que quer ter um estatuto de estadista, de seriedade e de congregar os portugueses neste período extremamente dificil e com situações de emergência social, deve ter a capacidade e a sapiência de saber resistir á tentação de responder á canelada com outra - essa é permitida aos jogos politicos internos próprios das juventudes partidárias, terreno em que tanto Pedro Passos Coelho como Miguel Relvas se movimentaram bem e com resultados notáveis. São conhecidos episódios que revelam o estilo, como o caso de um adversário da JSD ter recebido um aviso de Relvas para não se meter com ele na luta pela sua distrital!

 

Este tom de ironia, a raiar o insulto e a descredibilização do outro e do adversário é bem patente em alguns mentores e sectores afectos a Pedro Passos Coelho, como o caso de António Borges ao chamar ignorantes aos empresários! Aliás termos como o utilizado têm sido "useiros e vezeiros" na linguagem de sectores da maioria, faltando aí também uma das promessas eleitorais, de fazer politica de uma forma diferente da linha que acusava o seu antecessor!

 

O facto de publicitar com vaidade o seu gosto pela música e canto clássico entre outras actividades culturais e lúdicas , não faz de si um homem de bom gosto! Agitar constantemente uma bandeira de arrogância, prepotência e de sobranceria pavoneante é de evidente mau gosto!

 

Também se mede o caracter de um individuo por se ser "harmonico" face aos outros e não resisto a terminar citando Álvaro de Campos: "O Super-Homem será, não o mais forte, mas o mais completo../O Super-Homem será, não o mais duro, mas o mais complexo..../O Super-Homem será, não o mais livre, mas o mais harmonioso." - e retiraria a palavra Super-Homem e colocaria o termo " O politico que precisamos será...." Aconselho a Pedro a leitura integral do poema Ultimatum e talvez o seu sorriso irónico e trocista com que escuta os outros se torne de outra cor que não o amarelo e "proclame outra humanidade"!

 

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 20:33
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11
Jan 13

Refundar o partido antes do estado

 

            A atual maioria governativa pretende uma discussão "alargada" da necessidade premente de refundar o Estado, essencialmente rever as suas funções para com os seus cidadãos, algumas das quais elementares e protegidas pela lei maior da Republica e que define um país! A questão é colocada de uma forma tão dramática, que se questiona se todos os progressos ao longo dos últimos 40 anos na direção de uma sociedade moderna, evoluída e culta, foram em vão e assim tão extravagantes! Existe até por parte de alguns sectores tecnocratas do poder, a diabolização e culpabilização da generalidade dos sectores do estado social pela nossa débil situação.

          A garantia de cuidados de saúde abrangente a todos os extratos sociais, o livre acesso ao ensino e á justiça, as mesmas garantias de possibilidade de evolução das condições económicas, sociais e culturais por parte de toda a população, a promoção do individuo em condições iguais, um estado solidário para com os mais desfavorecidos que evite a exclusão, apoie as vítimas de desigualdade, proteja os mais desfavorecidos - são princípios além de expressos na Lei “maior” do país mas também estão nos programas fundadores dos partidos do poder! Não é de espantar este facto, pois assumimos que são organizações politicas que pretendem uma sociedade evoluída, dinâmica, pluralista, democrata e solidária

          O principal partido da atual maioria absoluta, o Partido Social-Democrata, teve como principio fundador como o próprio nome indica a Social-Democracia, contudo mais liberal que outras europeias, apoiando (e bem) o desenvolvimento económico, promoção da iniciativa privada na indústria, comércio e serviços, visando obter uma prosperidade mais transversal a todas as classes e regiões do País! O símbolo do “PSD”, constituído por três setas, foi nos primeiros anos sobejamente promovido como representando os valores fundamentais da social-democracia: a liberdade, a igualdade, justiça social e solidariedade. A sua principal figura fundadora, Francisco Sá Carneiro, debateu-se freneticamente contra uma esquerda radical programática influenciada por doutrinas ligadas a sistemas políticos duros que propunham a igualdade do cidadão na submissão ao estado e á sua cúpula regente, sem iniciativa privada e livre acesso á economia. Destaco o facto histórico dos fundadores do PSD terem tentado integrar a Internacional Socialista porque se reviam nos seus princípios humanistas, tendo inclusive mudado o nome de Partido Popular Democrático para atual designação. A entrada acabou por ser bloqueada pela forte influência e atividade dentro da organização por parte do Partido Socialista português. A atestar a assunção da Social-Democracia como princípio ideológico e regente da sua ação politica, podemos ler na sua página oficial na internet algumas das suas linhas programáticas:

            “• O Princípio do Estado de Direito, respeitante da eminente dignidade da pessoa humana - fundamento de toda a ordem jurídica baseado na nossa convicção de que o Estado deve estar ao serviço da pessoa e não a pessoa ao serviço do Estado.

           “• A justiça e a solidariedade social, preocupações permanentes na edificação de uma sociedade mais livre, justa e humana, associadas à superação das desigualdades de oportunidades e dos desequilíbrios a nível pessoal e regional e à garantia dos direitos económicos, sociais e culturais.”

         “• O direito à diferença, como condição inerente à natureza humana e indispensável para a afirmação integral da personalidade de cada indivíduo; direito esse tanto mais efetivável quanto maior for a igualdade de oportunidades na Comunidade!”        

           

               Na íntegra concordamos e apoiamos maioritariamente todos os princípios transcritos para uma sociedade democrática e moderna. Quem não está de acordo, são os seus líderes atuais e em especial Pedro Passos Coelho, que o destino quis que fosse primeiro-ministro de Portugal, com a sua atual política económica e social e elegendo para a governação personalidades com pendor evidente neoliberal, fundamentado e regimentado em mercados financeiros esquecendo a função de um Estado e até a razão sociológica da sua existência. Este radicalismo em que a identidade de um país é subordinada a uma ordem financeira e a exigências externas, tenho a certeza que mereceria de Francisco Sá Carneiro, um combate feroz, tão duro como o que travou contra os que queriam um país aliado a ditaduras que entretanto, dando-lhe razão, se esfumaram na história! A minha certeza desta sua posição vem da convicção de princípios pelos quais cresci a vê-lo lutar para que Portugal evoluísse e recuperasse de décadas de atraso mas também porque apesar de ligeiramente mais novo que Pedro Passos Coelho entrei para o PSD, pela porta da convicção ideológica, travando combates nas juventudes partidárias, no associativismo escolar e onde se podia. Ao contrário do atual primeiro-ministro, muitos entraram pela convicção e consciência de princípios e não por um jogo com um baralho de cartas que eventualmente poderia ter sido em outra porta com cor diferente!

                Ao longo de quatro décadas conseguimos erradicar o analfabetismo, aumentar a qualificação individual e de todo um povo, com a introdução de medidas que facilitaram o acesso e a promoção do ensino; reduzimos com orgulho de uma nação inteira a mortalidade infantil e aumentamos a esperança média de vida dos portugueses com a constituição de uma rede de cuidados de saúde a nível nacional! Construímos redes viárias que estavam ao nível de alguns países do chamado terceiro mundo, para que todas as regiões tivessem a oportunidade de atraírem investimentos e se desenvolverem - relembre-se que só em 1991 foi completada a autoestrada entre as duas principais cidades, uma distância apenas de 300 quilómetros. Assim sumariamente descrito parece que falo de um país que encontrara o seu caminho e estava por fim fadado ao sucesso. Mas esquecemos que não reestruturamos o funcionamento dos organismos que tutelam o estado e sobretudo a mentalidade politica e económica de algumas elites, criamos um monstro de custos exorbitantes a que convenientemente agora chamam de apenas “gorduras do estado” que prometeram eliminar sem perda da qualidade de vida dos portugueses.

 

             Agora, atiram-nos com estudos encomendados a entidades com interesse inegável de recuperar rapidamente e sem perdas os seus  ativos financeiros que nos emprestaram, e querem fazer crer que a culpa é da rede de ensino “luxuosa” que criamos, do serviço nacional de saúde “desmedido” ou das redes viárias que não tínhamos e construímos. O problema está como se geriram fundos, fizeram parcerias e investimentos, numa cadeia promiscua entre os decisores do estado e uma dúzia de empresas e interesses, da forma incompetente como alguns determinados sectores foram administrados por decisão politica! Pretende-se “refundar” os princípios de um estado social, fundamentados num estudo efetuado pelo credor, que pelo mundo inteiro apoiou e financiou estados corruptos e ditadores, sem especial acautelamento de valores democráticos, humanos e sociais. Ao falar do FMI, falamos de um organismo que mostra uma indiferença perante valores que a maioria dos portugueses com o seu empenho e trabalho ajudaram a construir, pouco se interessa na evolução rápida que a sociedade portuguesa teve necessidade de fazer. A política de austeridade “fundamentalista”, de estrangulamento fiscal e esvaziamento da economia produtiva, imposta e com gáudio desenvergonhado é colocada em prática rigorosamente por governantes tecnocratas que exercem funções com pouco sentido político, social e até demonstrando algum enfado pelo respeito da história de um povo!

            O modelo económico imposto, só tem criado uma espiral recessiva na economia, mais desemprego, menos atividade económica e a emergência de mercados paralelos e de auto-sobrevivência irremediavelmente fora do sistema e tipico dos países ainda em vias de desenvolvimento! A cura que preconizam para o Estado, vai o liquidando e estrangulando porque sem atividade económica não há receitas fiscais, investimento, emprego e prosperidade. Qualquer aluno do primeiro ano da faculdade de economia e de gestão, excepto se for do Professor António Borges, que felizmente para o nosso futuro não é a maioria, percebe este mecanismo e as suas consequências.

 

 

           

              A ação do Governo, contradiz na sua totalidade o seu programa eleitoral com que venceu as eleições que o legitimou mas sobretudo a história do seu partido e os princípios com que foi fundado! Tenho a certeza que antes de refundar o estado, o próprio PSD vai-se ter que se refundar após a saída de Pedro Passos Coelho, centrando-o novamente na social-democracia que se distingue do liberalismo essencialmente nas preocupações de natureza social, com a pobreza, a exclusão social e a garantia de uma qualidade de vida mínima. Todos temos a impressão que poderá ser em breve com as próximas eleições autárquicas e mais tarde as europeias, deverá ditar a queda definitiva de um político que apesar de criado com orgulho numa juventude partidária foi inventado nas estrelas por alguma elite descontente e ávida de poder para dirigir um país!



José Carlos Madeira


publicado por O Principe às 01:21
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22
Nov 12

Carta a aberta a Alberto Gonçalves “o sociólogo”

O Juízo final numa página da “Sábado”

 

A Sábado, revista que tenho como de referência nas minhas leituras semanais, tem na sua última página a publicação semanal de um artigo de opinião de Alberto Gonçalves – sociólogo, que por bastas vezes faz com que termine uma leitura até aí agradável, cum travo azedo. Semana após semana tem-se vindo acentuar essa sensação, optando por uma primeira tentativa de ignorar aquela última página! A mesma não passa de uma dissertação sobre vários temas da atualidade cujos comentários têm pouco ou nada de análise social mas muito de pavoneamento interpretativo de alguns temas. Assistimos atualmente em catadupa ao surgimento de comentadores de todos os quadrantes, uns encomendados, outros para alimentar os seus egos insuflados e majorados socialmente por uma posição ou por mera conveniência de aparecer. Quem comenta e publica artigos de opinião deve também ter o discernimento que a sua opinião é falível resume-se á sua própria visão do mundo, sempre caracterizada pela sua formação mas acima de tudo pela elite social em que se insere!

 Alberto Gonçalves dá-nos todas as semanas uma crónica intitulada “Juízo Final” – cujo titulo já nos remete para a existência de um ego razoável, de quem aparentemente transmite uma sapiência iluminada e a coberto de um titulo de sociólogo disserta com a certeza de que nos está a alertar para uma sociedade que só existe em si e no seu meio. Depois de repensar o que fazer da minha revista semanal, se ignorar o juízo final da última página ou como um leitor e cidadão interventivo tentar que outra visão seja dada de forma critica ao que eu chamo o desbaratar de uma página. O último artigo composto por dois subtítulos “A pobreza Franciscana parte II” e “Atenas pelo telefone”, leva-me a escrever abertamente sobre e para o cronista – o seu tom o modo desajeitado, numa procura de com as suas linhas sublinhar uma postura intelectual e dar voz a uma sociedade que não existe, ao não ser dentro de si e tentar interpreta-la por um prisma tendencioso e que se exigiria mais a alguém que se apresenta como sociólogo.

Por honestidade intelectual esclareço que não pertenço ao Bloco de Esquerda, sendo a minha família ideológica diametralmente oposta. Sou um cidadão que de diversas formas interveio na vida política até pelo partido que hoje é maioritário na governação atual e em grande parte da sua atuação não me revejo e que tenho por “erros colossais” que os pagaremos num futuro imediato e que tornará um país quase milenar cada vez mais dependente e periférico social, financeiro e culturalmente. Esta minha opinião de cidadão comum não é diferente de muitos ilustres que no mesmo quadrante politico tiveram posições e cargos de relevo, sendo bem escusado citar nomes, basta um zapping pelas estações de televisão de informação desde das nove horas da noite!

Em “A pobreza Franciscana parte II”, Alberto Gonçalves, vem atacar a posição e frases de dirigentes d o Bloco de Esquerda com o seu já habitual, confrangedor e antiquado estilo argumentário trotskista , atacando Isabel Jonet! Faz a comparação pela beatitude entre aquela e os fins da organização partidária. Como escrevo no meu blog Mordidela, em http://mordidela.blogs.sapo.pt/, e no post “Há um tempo e um modo” não é questionável o trabalho do Banco Alimentar e o apoio que todos devemos dar á sua atividade e nos tempos em que vivemos ninguém é prescindível muito menos por inábeis e pouco clarividentes palavras! No entanto, o que Alberto Gonçalves não escreve é que não foi o Bloco de Esquerda, nem outros críticos que surgiram, que tornaram as palavras da Presidente do Banco Alimentar num acontecimento político, foram as mesmas e o seu teor bem como o relevo social de quem as proferiu! As palavras de Isabel Jonet tinham uma conexão politica evidente e de aceitação implícita pela opção da austeridade e governação vigente! A notoriedade não é uma moeda de uma só face, também traz uma maior ressonância às palavras e aos atos! Se fosse uma mera cidadã voluntária e participativa do Banco Alimentar com toda a certeza não estava como convidada naquele programa rodeada por comentadores reconhecidamente com opinião politica. A todos é exigível distinguir a sua ação enquanto representante e responsável de uma obra notável de uma Isabel Jonet que não hesitou publicamente manifestar a sua opinião que teve um contexto evidente político e que deixou que algumas fações extremistas as utilizassem, também disparatadamente, chegando ao limite insensato de se pedir um bloqueio estupido e ignorante aos donativos á sua instituição que implicaria o agravamento da situação de muitas famílias que vêm o apoio das organizações humanitárias como o único meio de sobrevivência! Isabel Jonet e os seus defensores devem ter a clarividência de reconhecer que foi inábil a sua intervenção pública e que deve assumir o erro que não ajudou a sua obra meritória, num tempo em que tudo ganha uma dimensão perigosa e muitas vezes desfocada. Pior que os ataques às suas palavras foi a sua defesa por alguns, por vezes desfasa e patética não compreendendo e aceitando que o primeiro erro foi da autora e o segundo de quem alimentou a discussão com argumentos débeis. O silêncio quase sempre é uma arma eficaz para a maledicência ou para o humor jocoso inapropriado. Se o Bloco de Esquerda é tão malévolo para o cronista porquê então ampliar as tiradas jocosas trotskistas que a todos já enfatizam?

 

Parece-me mais grave quando Alberto Gonçalves, o sociólogo, em “Atenas pelo telefone”, nos convence da conversa telefónica de um amigo que lhe relata da sua chegada a Atenas. Todos sabemos que a capital grega vive momentos de muita agitação e tumultos principalmente em dias de greve geral, o que não devia ter sido o caso, pois na última não havia aeroporto a funcionar, táxis e transportes a circular! A leitura da sua crónica leva-nos a questionar se o seu amigo baralhado por um qualquer jet-lag imprevisto, não terá aterrado em Damasco sem se dar conta! Mas tirando a enfase da crónica do amigo amedrontado parece que o cronista nos pretende garantir que as manifestações em Atenas não são feitas por desempregados, estudantes, idosos e uma ampla e transversal base social que desesperada se vê sem meios para resistir a uma austeridade que favorece ilusoriamente supostos mercados financeiros e uma moeda virtual chamada Euro e que se esquecem de um povo que sofre e não os seus dirigentes, que tem os seus idosos e crianças a viverem abaixo de alguns limites civilizacionais e o desemprego jovem ultrapassou os 55% - sim leu bem e os números são oficiais! Lá como cá, há o aproveitamento de uma parte da classe politica para relativizar as greves, as manifestações, relativizando que tudo não passa de uma organização malévola de bandos “de guerrilheiros treinados para espalhar a destruição e o caos”. Interessante a ressalva da orientação ideológica de esquerda do amigo viajante! Estive em Atenas vi gente a manifestar-se em frente ao parlamento já em 2010, ouvi palavras de ordem e li cartazes em inglês tosco para os europeus do outro lado do mediterrâneo escutarem, soube de radicais e extremistas que alguns foram presos mas em cada grego não há um potencial terrorista. Os gregos, que Fernando Ulrich diz estarem vivos, sentem o que Alberto Carvalho e o amigo de esquerda do telefone e alguns senhores não lhes interessa, ou não lhes é relevante para a crónica, é o desespero porque a sua economia está morta, o estado não funciona e na sua maioria deixou de poder fazer face às despesas mais básicas do dia-a-dia! O desespero coletivo como deve reconhecer não o cronista mas o sociólogo é o embrião para uma convulsão social violenta que muitas vezes na história fez cair o poder na rua e mais tarde em mãos pouco desejáveis. De uma coisa poderá ter a certeza a Europa não será a mesma e todos hoje somos governados por uma ditadura a que chamam de “mercados financeiros” que alguém deixou colapsar e e como todo o bom ditador desregulado minou um continente inteiro e fé numa economia comum.

Alguns pretensiosos fazedores de opinião ou escribas eruditos, contentes e satisfeitos com a sua vida não suportam ouvir palavras como descontentamento, porque temem que a vida deixe de ser como conhecem e seja mais que uma feira de vaidades ao sol de uma esplanada á beira-rio e o seu sossego seja truncado pela voz de quem se quer fazer ouvir – deixam transparecer o desejo que os “pequeninos confrontos suscitados pela aprovação do OE…”como refere, sejam apenas isso obra de pequeninos guerrilheiros ridículos e que dá jeito alguns para se esquecerem dos milhares que estiveram na rua a fazerem-se ouvir. Grave sãos as palavras do cronista sociólogo sobre uma hipotética sede de violência - se fossem proferidas por alguns quadrantes políticos de extrema-esquerda, e as rotulasse de terroristas eu o apoiaria – “Sobretudo quando certas luminárias das forças de segurança parecem empenhadas a estimular o avesso da dita e quando delinquentes com voz nos media e até no parlamento se consomem na impaciência de arrasar o regime e num ápice, o País!” Ficámos a saber que a imprensa e os media (do qual também faz parte ao escrever numa revista) dão voz a delinquentes e que os mesmos chegam até ao parlamento o que numa democracia é grave! Há delinquentes no parlamento que dão eco á voz de outros delinquentes que têm amigos nos media. Senão fosse grave e pesada a afirmação parecia-me a teoria da conspiração reconstruída num sketch dos Gatos fedorentos”. È urgente para uma melhor informação dos seus leitores que esclareça quem são os delinquentes no parlamento que dão voz a outros delinquentes porque gente dessa não se quer em tal lugar e quem profere tão convicta e forte afirmação deve também dizer os seus nomes assumidamente!

Espero do cronista, se alguma vez tiver tempo e vontade de ler este texto, de um simples homem que se identifica, não se esconde a coberto de um pseudónimo, que exerce a sua cidadania consciente, que a receba como uma opinião democrática, uma visão diferente da sua e independente! Quem se quer notável pela prática de uma atividade essencialmente politica como é o seu tipo de escrita e de crónica tem de certeza uma postura de aceitar a crítica, o contrário e frontalidade!

 A última página da Sábado é afinal e apenas mais uma página, que poderia ser a primeira ou uma qualquer das outras!

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 22:29
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09
Nov 12

HÁ UM TEMPO E UM MODO

 

Há momentos em que todas as intervenções pequenas, desajeitadas e deslocadas tomam proporções maiores, que em outros passariam completamente despercebidas e até receberiam um sorriso ou uma gargalhada jocosa! Tem sido o caso de algumas figuras da política, da sociedade e das finanças nos últimos tempos!

Ninguém se exaltaria contra Fernando Ulrich, quando no seu tom habitual de popstar ao género financeiro, um misto confuso de ligeireza e arrogância intelectual, quando disse que o povo aguenta mais austeridade com uma frase que daria brado nas t´shirts dos adolescentes – “ai aguenta, aguenta, se aguenta…”; não fosse este o tempo em que os bancos são refinanciados a 0.75% e colocam o mesmo dinheiro na economia a juros muito superiores, não seriam graves os seus comentários constantes. Quando milhares de clientes do seu banco ficam sem as suas casas por não conseguirem liquidar as correspondentes mensalidades face á perda de rendimentos e o número de famílias desempregadas sem qualquer apoio do estado não fosse colossal e dramático, ninguém tinha perdido tanto tempo com um simples disparate dito talvez num momento de empolgamento e exaltação já habitual do seu ego! Não era de forma nenhuma notícia sequer senão fosse dito por alguém que lida diariamente com índices concretos e gere uma instituição financeira que não compreende que mais austeridade trará uma recessão sem paralelo na nossa economia e que haverá uma quebra mais acentuada no consumo. Sem ele a economia não mexe, não há crescimento, a desigualdade entre os ricos e a classe média (não falo já dos pobres) será enorme! Quem movimenta a economia de um país com as nossas características é o dinamismo da classe intermédia que começou a levantar as poupanças que estavam paradas no seu banco para fazer face a despesas correntes e se encontra depressiva e num colete-de-forças fiscal. Quando Fernando Ulrich rematou a sua disparatada intervenção com uma alusão ao povo grego e às medidas de austeridade dizendo – e os gregos estão vivos… - colocou no espirito coletivo o medo de chegarmos ao fim da linha social e da estabilidade, que é o que os gregos representam atualmente para a Europa ou que os nossos dirigentes políticos e financeiros pensam que o povo aguentará sobreviver naquele limite. Não disse é que os gregos estão vivos mas o seu país está morto, financeiramente paralisado, com uma taxa de desemprego entre os mais jovens de 55% que pensaríamos irreal há uns anos, as instituições paralisadas, os consensos políticos são instáveis e insustentáveis no tempo e socialmente um vulcão que pode influenciar outras paragens em que o poder rebentará em mãos indesejáveis. Nós caminhamos para o descalabro de uma economia da beira de estrada, paralela e de sobrevivência, reconhecida em países em vias de desenvolvimento em que me habituei a ver nas minhas viagens por destinos mais exóticos. Vejo a percorrer as nossas estradas, mais gente a vender na rua, alguns com uma pequena bacia com o que colhem de minguos jardins que recentemente serviam para outras sementes. Isto não é uma narrativa de Milan Kundera ou a descrição da destruição de um tipo de vida após a segunda guerra em alguns estados a leste da Europa, somos nós em pleno século XXI.

 

Quando Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar num canal televisão de informação, disserta sobre o hábito de comer bifes e a crise como resultado de se comerem muitos sem se poder, é grave quando cada vez há mais famílias da classe média que recorrem a instituições como a sua para se alimentarem e que começam a sentir dificuldades e a não terem meios para acorrerem a tantas solicitações. Quando num pretensiosismo deplorável se refere á educação das crianças em lavar os dentes com copo na mão parece que está a ensinar a um povo nos confins da Amazónia a racionar o pouco de água potável que lhes é fornecida e nunca tiveram acesso a uma torneira; não seria grave se este não fosse o tempo que muitas famílias que recorrem ao apoio de instituições de solidariedade, não conseguem fazer face às despesas mínimas correntes do lar e vêm cortados os fornecimentos da água e a luz.

Isabel, sabe que esta crise e austeridade não se deve aos bifes que a classe média consumiu nem muito menos pela água que desperdiçaram. Podemos admitir e compreender o que quis dizer, utilizando figuras de retórica mas este não é o tempo e o modo de lições tipo das senhoras da quermesse. Os bifes não devem ser vistos como um luxo mas até como um direito a qualquer um de integrar na sua alimentação e a água como um bem essencial acessível a todos, seja qua for a sua situação atual económica ou social. A instituição Banco Alimentar mereceu o nosso reconhecimento, cresceu com a simpatia do povo, com adesão massiva de voluntários por uma causa e que não pode ser colocada em questão por uma inabilidade de uma só pessoa! É tão essencial esta instituição neste momento como todas as outras, que não podemos descrer na sua atividade e liderança. O Banco Alimentar é essencial por tudo o que criou, a Isabel Jonet só por si não!

Saberiam a maior parte dos portugueses quem é senão fosse o Banco Alimentar que lhe proporcionou prémios e reconhecimento, modelo de instituição não criada por nós e com muitas congéneres a nível mundial. Relembre-se que Isabel Jonet tem um cargo internacional nestas instituições o que deveria tornar todas as suas intervenções mais pensadas e ponderadas. Porque este não é o tempo também de dispensar ninguém!

 

A austeridade poderia começar nestes e em outros exemplos pelo uso das palavras, do exaltar de egos e sobrancerias. Neste momento em Portugal há excesso de comentadores e de vaidades porque há um tempo e um modo para tudo!

 

Também este não é o tempo de um Presidente da Republica em que toda uma nação espera uma presença ativa, uma atitude interventiva, vigilante, que nos transmita uma réstia de segurança e esperança na salvaguarda de direitos mínimos adquiridos em quase quatro décadas de democracia, se mantenha silencioso, numa hibernação despropositada, refugiado nas paredes douradas de um palácio recebendo convidados qual mestre-de-cerimónias, deixando passar uma ténue e suspeita imagem do avozinho reconciliador que se abstém numa família desavinda! Também não é o modo de reaparecer na inauguração de um hotel de luxo apressando-se a dizer que ninguém o pressionará a enviar o documento que regerá e influenciará as nossas vidas para o Tribunal Constitucional, ficando em alguns espíritos a interrogação senão o é ao não o enviar a propósito de uma estabilidade politica irreal e cada vez mais frágil num um país preste a rebentar socialmente e com uma economia em vias de um estado comatoso!


 

Há um tempo e um modo!

 

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 01:19
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09
Jul 12

 

Doutores, Engenheiros e Aprendizes

 

 

Parte importante do meu tempo dedico à educação dos nossos filhos, realçando a força de valores importantes, como a educação, o esforço, a dedicação a um objetivo, a abnegação, o interesse pelo conhecimento e a descoberta, entre outros. Tento contrariar a ideia de facilitismo que grassa em algumas gerações anteriores em que a notoriedade fácil e barata sobrepõe-se ao mérito!

 

Eles estão expostos a exemplos perigosos e atuais de quem atingiu notoriedade porque se deixou filmar dentro de uma casa com outros idênticos, tal como uma experiência de observação antropológica, despertando o desejo perverso de voyeurismo da sociedade e passado algum tempo não sabe o que fazer da sua vida e volta ao anonimato após ter sido mastigado e cuspido como uma pastilha elástica – chamo-lhe o fenómeno “Shwinger-gum person” que se verifica não só neste caso mas em muitos outros em diferentes meios.

Durante os nossos jantares falo-lhes das lutas associativas e ideológicas que travei na minha juventude, na passagem por uma das jotas politicas e ter-me mantido sempre fiel a princípios e vertical, não me deixando engolir nem ceder a minha opinião por cargos, lobbies ou favores. A própria evolução da nossa espécie atesta que o homem quer-se na vertical! Batalho para que se apliquem nos estudos, se entreguem na sua formação, se dediquem a um objetivo! Uma das características da nossa conversa face à diversidade de personalidades que tenho à minha mesa, é fazer sentir que as nossas capacidades são todas diferentes e que uma sociedade não é formada só por licenciados, doutores e engenheiros…

Uma sociedade justa e equilibrada é aquela que é formada pela diversidade de géneros, opiniões, credos, actividades, níveis diferentes de desempenho, pelo confronto direto e constante de tendências dentro de princípios de civilidade e tolerância. É tão importante a existência do economista, como a do artista! Um mau economista pode levar-nos á falência, a tomar uma má decisão nas nossas vidas, um bom artista seja qual o seu género traz-nos a capacidade de nos sentirmos Seres Criadores, do prazer, de podermos disfrutar da plenitude dos nossos sentidos num só poema, numa só música, na mais simples tela...O importante é o individuo! A sua realização, o contributo que dá para a melhoria de vida dos que o rodeiam, a sua capacidade de criar e deixar impressa a sua marca na família, no bairro em que vive ou na empresa e nunca o título que coloca antes do seu nome de registo e de batismo.

 

A minha geração foi a responsável pelo amadurecimento da democracia, hoje temos políticos criados nos movimentos das mais diferentes juventudes partidárias mas ao mesmo tempo criámos e incentivámos o “lobismo”, o sectarismo, o novo-riquismo, construímos e valorizámos uma burguesia de vaidades, de títulos e de aparências. Recordo uma situação caricata passada na política – numa assembleia municipal durante o período aberto aos munícipes, um cidadão na sua simplicidade dirige-se ao seu presidente dizendo “O senhor….”- de imediato o autarca então muito conhecido pelo seu temperamento e atitudes, no seu característico tom interrompe e diz: - faça o favor de me tratar com o respeito que mereço, senhor não! Senhor doutor fulano tal…!

Já nos aconteceu o mesmo que aquele simples munícipe. Profissionalmente ao longo do meu percurso assisti às situações mais caricatas desde alguém que ao apresentar-se para marcar uma simples reunião ou entrevista realça o “doutor” e o “engenheiro” antes do nome, até a uma situação numas jornadas anuais promovidas por uma grande empresa quando o interveniente debatia o discurso de abertura do palestrante convidado e se lhe referia com o primeiro e último nome, o visado sentado na mesa de honra murmurava audivelmente ao mesmo tempo: Doutor..!!

 

Somos uma sociedade de doutores e engenheiros, e impregnamo-la com o vício da imagem e do título. O importante não é a dedicação, o mérito, o conhecimento, o nosso desempenho mas sim o título. Somos o país da Europa que mais cursos superiores criou no menor espaço de tempo e os nossos responsáveis permitiram o seu licenciamento não se preocupando com o futuro curricular e profissional daqueles que os frequentariam. Todos conhecemos cursos cujas médias e números de alunos deram que falar e sobejam exemplos de jovens que não seguiram as suas vocações por impossibilidade de obtenção de médias e que se limitaram o seu futuro a opções de recurso sem aplicabilidade nas suas vidas apenas para obterem um título que lhes permita facilitar a sua entrada no mercado de trabalho e na sociedade - Diz-me qual é o teu título e depois o que sabes…

 

Além de termos criado a sociedade dos doutores e engenheiros, inventámos a dos Aprendizes que sobrevive entre o sistema vigente e o chico-espertismo oportunista! Vestem-se como os yuppies americanos no final dos anos oitenta, punhos brancos, fatos de marcas ostensivas, passeiam-se em carros de boa pinta, habitam em condominios restritos nas zonas “in” e adquirem montes alentejanos para o fim-de-semana para desfrutar com os amigos, falam com conhecimento empírico e tornam eloquente o discurso do senso comum, sobrevivem à tona entre o sim e o não -o “ni” conveniente -e para acabar o quadro perfeito da sua personagem vão á busca do titulo de instrução que lhes escapou, com a facilidade dos contactos e favores que angariaram – não me digas quem és, diz-me quem conheces! Assim, para entretimento jornalístico vamos conhecendo percursos académicos que afinal não foram, currículos cortados e cozidos á medida da ocasião e da oportunidade. Como podemos incentivar os nossos jovens a valorizarem-se com exemplos públicos do desenrasque, do facilitismo e do apadrinhamento? Que gerações queremos para o futuro? A das Novas Oportunidades, cujos meios de avaliação e de certificação de conhecimentos desconfio e discordei em alguns pontos, ou a das Velhas Oportunidades baseada nos Aprendizes do chico-espertismo?

 

O sistema a que chamo de “Velhas Oportunidades”, beneficiou do Big-Bang das instituições de ensino superior em Portugal, com evidente vantagem financeira para o sistema! No entanto, não contribuiu na maioria dos casos para uma melhor qualidade dos nossos quadros empresariais, dirigentes políticos entre outros. Resistem algumas instituições que mantiveram a sua exigência científica e curricular que permitiram formar “cérebros” em várias áreas muitos dos quais requeridos por vários sectores do estrangeiro e outros que para continuarem a sua valorização emigraram.

 

Sinto-me desconfortável em ser governado por uma geração que dá primazia á imagem, á influência! Sou desconfiado quando algumas destas personagens pertencem ou são convidados para os conselhos de administração de empresas de referência. Sinto-me incomodado quando um destes protagonistas sobe para cargos governativos e haja a necessidade de o substituir por outro que desceu. Dizia com ironia um cronista sobre as redes sociais que Portugal descobriu um novo termo “ o amigar” mas eu não concordo, porque sempre o sistema de notoriedade instituído neste país há duas décadas foi o “amiguismo”!

 

O mérito não se obtém num título e faço votos para que alguns dos meus filhos não o tenham só pela necessidade social de o obterem e não serem marginalizados. Porque tenho a felicidade de possuírem personalidades e interesses que poderão singrar e dar um contributo positivo como técnicos em áreas tecnológicas, na ação humanitária e até no desporto e não se ficarem por aprendizes.

 

Hoje, é justo e normal que quem terminou o seu curso universitário cumprindo todas as regras ponha em causa e interrogue a instituição que frequentou preocupado com o valor curricular das suas licenciaturas no mercado de trabalho! Entregaram-se durante anos com sacrifícios vários, inclusive muitos com o esforço financeiro e endividamento de toda a família quando são conhecidas e publicas situações que outros obtiveram o mesmo com base na notoriedade social e politica e no “amiguismo facilitista”!

 

Um dos empresários de referência e que admiro em Portugal, pela sua inteligência empresarial, empreendedorismo, cultura industrial e comercial , que em plena crise tem sabido manter e até criado novos postos de trabalho, não teve a oportunidade sequer de completar os seus cursos secundários, por razões familiares. Começou ao lado do seu pai numa via dura como carpinteiro da construção civil mas entusiasmado por um sonho e compenetrado em o tornar realidade! Conseguiu atualmente estender a sua atividade a vários pontos do planeta e em cada dia preocupa-se em tornar mais forte e menos permeável o seu grupo às intempéries dos mercados globais e financeiros, aos favores da política, formando os seus quadros com o lema que só com esforço diário e dedicação se obtêm resultados e que os títulos não são a garantia de uma posição de privilégio mas sim o desempenho! Este é um dos exemplo que dou aos meus filhos e peço-lhes que para além de terminarem os seus estudos e formação curricular que criem dentro de si o carater de empenho, do desafio, do esforço, da dedicação! Será que resistirão ao “facilistismo” e ao “amiguismo”?

 

Enquanto estive na Dinamarca num grupo industrial líder mundial no seu sector, o CEO da companhia era apenas tratado por Klaüs.. e trabalhava num open-space conjuntamente com todos os seus quadros das oito da manhã às quatro da tarde e almoçavana sala destinada às refeições não mais de vinte ou trinta minutos. A sua produtividade e da sua equipa decerto não têm equivalência em Portugal, foi uma das melhores aprendizagens que tive na minha vida profissional. Nunca soube se Kläus era doutor ou engenheiro mas aprendiz não era de certeza!

 

 

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 21:59
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25
Jun 12

Pateada do PS no parlamento!

 

Recordei-me de uma história contada por esse grande actor já falecido, Carlos Wallenstein, que tive o prazer enorme de acompanhar e conhecer na estreia de "À Espera de Godot" de Samuel Beckett por uma companhia do Porto.

 

"À Espera de Godot" estreara pela primeira vez em Portugal nos meados do Sec.XX com o famoso Ribeirinho no Teatro D. Maria e surpreendentemente no final parte do público lançou uma forte e sonora pateada....Motivo? Godot não apareceu!..O publico queria Godot...a metáfora de todas as promessas, de todos os anseios, a esperança da mão suprema! Queria o ver materializado num actor, numa entidade física e concreta à falta da capacidade de sonhar e do desenvolvimento intelectual da época!

 

Assim vai Portugal perpetuamente à espera do seu Godot... e o PS e todos os outros á procura do seu!...Tanto a pateada como a intervenção que lhe deu origem são exemplos da discussão politica no hemiciclo da nossa democracia. A qualidade é hoje uma exigência nas empresas e sociedades modernas que se querem competitivas,dinâmicas e prontas a dar uma resposta às necessidades dos mercados e dos povos.

 

O nosso parlamento deveria ser o exemplo, de qualidade humana e intelectual, capaz de debater com seriedade os nossos problemas e encontrar os melhores caminhos comuns para toda uma nação actualmente depressiva, pobre e doente! Quando assisto a um debate como o de hoje deixo-me ficar por este caminho à espera de "Godot", que poderá ser também D. Sebastião - quer venha ou não - e cheguem as manhãs de sol porque nas de nevoeiro desde tempos idos cómoda e silenciosamente nos escondemos do absurdo - nem de propósito citado Samuel Beckett o grande mestre do Teatro do Absurdo.

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 22:55
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09
Jun 12

Depois do "Século das Luzes", do "Século da Tecnologia e da Ciência" uns quantos preconizaram que este seria o Século da Espiritualidade...não seja Paulo Coelho o escritor mais vendido do mundo!

A compra no segmento de livros espirituais e de auto-ajuda subiu exponencialmente desde o ano dois mil, não se compreendendo como muitos dos seus consumidores continuam a viver preocupados com a casa do vizinho enquanto a sua pega fogo! Insensato e e ignorante modo de vida que demonstra a frustração e a incapacidade de realização individual e colectiva, consumindo energias com a futilidade e nada construindo. É assim com os povos, com o nosso vizinho, os parceiros de negócios mas muito pior quando está enraizado na instituição que determinados pudicos chamam de família funcional.

 

Funcional é tudo menos um jovem desenvolver-se com pais a se agredirem, maltratando-se na sua presença, displicentes às suas necessidades apenas vivendo debaixo do mesmo tecto. Hoje uma família é mais do que laços de sangue, mais que a ostentação de uma casa ou de uma vida financeira e social para o outro ver. Quem assim age não evoluiu, não se adaptou mas acobardou-se no seu falso "porto-seguro" temendo ser ultrapassado e de tanto medo e cobardia sem se a perceber irremediavelmente já o foi!

 

Diz-nos a velha história: ser moderno não é deitar abaixo o prédio de dez andares que o vizinho do lado ergueu legalmente, com dedicação e muito trabalho mas construir também o seu, aproveitando a melhor tecnologia, inovando, desenvolvendo o melhor design e integrando-o no espaço comum. Parece-lhes confuso e difícil mas é tão fácil! Basta não perdermos tempo com a inveja, o ciúme, a guerra, a futilidade e a maledicência.

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 18:50
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03
Jun 12

Como é fácil de verificar tenho andado ausente deste blogue, como dizem alguns amigos com as "mordidelas" por escrito em suspenso! Não por vontade de as dar mas por falta de tempo e espaço numa vida preenchida e que durante o último ano me ocuparam outras tarefas. Não sei se mais sadias do que esta de escrever mas importantes para a sobrevivência de uma família num país mirrado, cinzento, triste e desmotivado, sentados á beira-mar resignados observando um horizonte demasiado curto, estreito e cinzento - os horizontes querem-se prolongados, largos, com luz e cor. Neste tempo de ausência passou por este país um vendaval carregado de "previstos imprevistos". Caiu sem redenção um governo, não se cumpriram promessas de programas eleitorais, esconderam-se realidades, adiou-se um país com decisões por tomar, os lobbies continuaram o seu caminho de enraizamento na estruturas do estado, criou-se e se propagou uma nova realidade institucional chamadas PPP's (Parcerias Publico-Privadas) que se multiplicaram como os cogumelos, pequenos e grandes escândalos, pedimos pela terceira vez na nossa vida democrática de 38 anos ajuda a terceiros para os problemas que criámos e nos criaram, surgiu a Troika com os senhores tecnocratas e os já nossos conhecidos do FMI. Surgiram eleições, novas promessas dos mesmos e dos outros, um novo governo, novas-velhas, uma nova maioria, o regresso de outros lobbies e personagens, e a triste imagem da tentativa de sobrevivência dos anteriores! Compenetrados e castrados á ajuda dos outros, a palavra Troika entrou no quotidiano de todos como uma marca de refrigerante azedo ou nome de telenovela de horário nobre com um mau enredo de vilões de fraca esperteza, virgens púdicas e outras personagens entediantes, sem que a maioria entenda quem a compõe, quem são e porque vêm. E de facto perante a necessidade de sobreviver porquê nos importarmos com a semântica senão há centeio e milho na mesa? Esclareço os mais incautos que das linhas acima não se entenda que sou contra á inevitabilidade circunstancial do pedido de ajuda externa, porque não é desonra pedir auxilio e quem pede tem a liberdade de aceitar ou rejeitar as contrapartidas de quem dá! Sou é contra o sentimento redutor que a vida de um país se governa navegando á vista, penalizando estas e as próximas gerações, com tecnocratas bem engomadinhos e sorumbáticos compenetrados como um aluno marrão desajeitado sempre de dedo no ar a mostrar a sapiência que não tem, que todos conhecemos nas carteiras da escola, que de tão alheado nunca conheceu o gosto de uma futebolada à chuva, o gosta das pingas na cara, o sabor infantil do primeiro beijo, o delírio de molhar os pés nas poças de inverno. Que neste país que vos escrevo haja Poetas, músicos, pintores, artistas de circo que nos preencham a alma e a imaginação que resta da amargurada realidade que nos é servida. Apetece-me dizer: venha a Arte e nos exalte – e repetir os versos do poeta “…Mais que isto / É Jesus Cristo / Que não sabia nada de finanças / Nem consta que tivesse biblioteca…” - Se hoje as tivesse escrito e publicado haveria uns quantos intelectuais funcionários zelosos do sistema a acusá-lo de incentivo à iliteracia, ao absentismo escolar, á ignorância, até onde a imaginação limitada de um obediente e subserviente burocrata atinge. De tanto que se passou seria melodramático, enfático, soturno, sonolento fazer uma longa crónica a este tempo, porque como digo em outros lugares a mesma água não desce duas vezes o mesmo rio e depois de o descer para quê o tornar a subir se já se conhecem a as suas margens quando chegados à sua foz tem-se tanto mar para navegar! Alguns, poucos, na nossa história tiveram essa visão, se assim não fosse não teríamos a possibilidade de hoje repetirmos exaustivamente numa melancolia que mata e corrói devagar o verso do Bom Poeta que houve tempos "...que demos novos mundos ao mundo"! Por esta razão decidi-me por “mordidelas” nas margens de águas presentes ou recentes. 

 

 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 17:20
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04
Set 10

O Capuchinho e o Lobo


O insólito de Portugal - os culpados passam sempre a vitimas! Nunca há provas! Quando as há os advogados do sistema revoltam-se e põem em causa as sentenças que não lhes servem. Já alguém reparou que são sempre as mesmas caras que aparecem na defesa dos grandes processos? Quase dando a sensação e aparência de uma socialite jurídica. Como se pode dizer tão mal da justiça quando se faz parte dela, se vive e se ganha notoriedade à sua custa e se usa todos os meios para a pôr em causa - como os incidentes de recusa, recursos de todo o jeito e não se deixa que de facto a justiça seja lesta? O incidente no final dum julgamento feito por determinado senhor do sistema e a sua forma de expressão é digno de registo e da falta de decoro de alguns agentes. A justiça é má em Portugal porque  algumas personagens contribuem para isso e se servem do sistema. Um velho mestre um dia me disse - desconfia daquele que vem sempre apregoar acima dos outros a ética e a justiça, como se fosse um arauto, lembra-te do escorpião que quando rodeado pelo perigo e pelo fogo entra num desespero total e morde a sua cauda e introduz o seu próprio veneno no corpo. 
Uma pergunta fica : se é consensual que existem em determinado caso 32 vitimas onde estão os culpados e de facto quem são? Porque não se fez um exame pericial  físico a algumas pessoas como era devido, porque não se usa o polígrafo em alguns casos como em alguns países modernos e democratas? Ou esses países só são modernos para se viajar e fazer compras e aparecerem posteriormente os relatos das suas viagens nas revistas cor de rosa? Culpados somos todos, porque permitimos que este país tenha este tipo de justiça, que quem tenha posição social e financeira passe incólume de sentença em sentença, de recurso em recurso enquanto assistimos ao zelo em condenar um pai de família desempregado que roubou uma galinha para alimentar a prole e leva-lo a tribunal algemado como um perigoso delinquente com possibilidade de fuga ( verídico ). Muitos neste momento assobiam para o ar e antes que contraponham lembro que todos temos crianças na nossa vida - filhos, filhas, sobrinhos, sobrinhas, irmãos e irmãs, apenas inocentes que os deixamos à mercê de um estado negligente e das suas instituições. Não está na hora de todos exigirmos uma revolução cívica, cultural, judicial? Em algo estou de acordo com o dito agente da justiça - estamos num período de trevas só que ele também é uma das suas personagens! De modernos nem os seus fatos, nem talvez as gravatas de seda. De realçar a serenidade, a dignidade, o tom,  o saber estar, do seu colega de defesa do mesmo arguido que ao longo de uma vida nunca precisou de usar um tom mais alto e abusivo para se impor, que acabaria por prejudicar também a imagem do seu constituinte. Quando determinada personagem diz em pleno media televisivo que não pensa que é uma cabala determinado processo mas uma fantasia, demonstra uma falta de respeito pelas 32 vitimas que afinal para si não existem porque tudo não passa de um historieta infantil em que o Lobo Mau foi vitima do Capuchinho Vermelho. 

Quero realçar que apesar das minhas considerações sobre um evidente e publico caso judicial não me retiram a clarividência de salvaguardar que poderá haver arguidos inocentes e respeitar a sua presunção de inocência, se a própria lei permite que a mesma se mantenha de recurso para recurso até a uma sentença final - que poderá ser ridiculamente numa quarta instância em alguns casos ( Tribunal Constitucional ). Em relação ás minhas fortes criticas a determinado agente de justiça - advogado - nada se referem ao processo do seu cliente e à sua possível inocência mas à sua postura. Dizia um amigo com alguma piada sobre o mesmo - de capa de revista em capa de revista até ao "azar em azar" desde o famoso desfecho do caso "Bragaparques"- o que leva admitir algum nervosismo a mais e alguma tensão.

Uma reflexão :  quantas mais mulheres vitimas de violência doméstica, veremos a serem mortas sem que se altere profundamente a lei, a mentalidade do sistema, a inoperância das entidades. A próxima mulher pode ser a nossa irmã, a nossa filha, a nossa vizinha....não vale a pena ter um Presidente da Republica a mencionar um facto evidente, um primeiro-ministro que pouco age em concreto  nesta sua promessa eleitoral ( entre outras  tantas ), um ministro da justiça culturalmente evoluído, de bom recato enfim " um bom gajo "! Precisamos de mais e de muito mais, tanto em exigência como em atitude. 

José Carlos Madeira

publicado por O Principe às 13:08
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